Novas provas indicam que Hitler matou a própria sobrinha em 1931

Documentos inéditos revelados pelo historiador alemão Harald Sandner indicam que Adolf Hitler pode ter assassinado sua sobrinha Geli Raubal em 1931, derrubando a versão oficial de suicídio que durou 95 anos e destruindo o álibi do ditador.

Novas provas derrubam álibi mantido por 95 anos sobre morte de sobrinha de Hitler

Durante quase um século, a história oficial sustentou que Angela Maria Raubal, conhecida como Geli, havia tirado a própria vida aos 23 anos no apartamento do tio, em Munique. Na época, Hitler declarou à polícia que estava viajando para a cidade de Nuremberg quando o corpo foi encontrado, o que garantia que ele não estava no local do crime.

Contudo, a descoberta de uma certidão de óbito até então desconhecida mudou o rumo das investigações históricas. A certidão mostra que o cadáver da jovem foi localizado 24 horas antes do horário informado no boletim policial. Isso coloca o futuro ditador nazista dentro do apartamento no momento exato em que a morte aconteceu, destruindo a versão de que ele estaria em outra cidade.

O historiador Harald Sandner, responsável pela pesquisa divulgada no jornal britânico Telegraph, afirma que a quantidade de evidências encontradas é avassaladora. Segundo ele, o horário real da morte ocorreu muito antes do registrado oficialmente, entre a noite de 17 de setembro e a manhã de 18 de setembro de 1931.

O que a nova certidão de óbito revela sobre o crime?

A certidão de óbito recém-descoberta mostra uma grave contradição na versão mantida desde 1931 pelo Judiciário da Baviera e pelo Partido Nazista. Na época, o criado pessoal de Hitler, Georg Winter, afirmou ter encontrado o corpo trancado no quarto apenas no dia 19 de setembro, quando o político já estava longe.

Como o documento oficial de óbito prova que o corpo já tinha sido localizado no dia anterior, a cronologia apresentada pelas autoridades da época desmorona. A polícia de Munique é suspeita de ter conspirado com os aliados de Hitler para abafar o caso e proteger a imagem do líder político, que dois anos depois assumiria o poder absoluto na Alemanha.

Além disso, a polícia alemã jamais realizou uma autópsia no corpo de Geli Raubal na ocasião. O caso foi encerrado de forma rápida como suicídio por tiro no peito, sem que os peritos examinassem detalhadamente as marcas encontradas no cadáver ou ouvissem testemunhas de maneira isenta.

Como era a relação obsessiva de Hitler com a jovem?

Geli Raubal era filha de Angela Raubal, meia-irmã de Hitler. Em 1927, a jovem mudou-se para Munique para estudar medicina e passou a morar no luxuoso apartamento do tio. A partir daquele momento, Hitler passou a controlar rigorosamente todos os passos da sobrinha, limitando suas saídas, amizades e relacionamentos amorosos.

Biógrafos renomados, como o alemão Joachim Fest, descrevem Geli como o grande amor da vida de Hitler, um relacionamento marcado por obsessão, ciúme extremo e abuso psicológico. Pessoas que conviviam com o casal na época relatavam constantes discussões acaloradas no apartamento.

No dia anterior à sua morte, Geli teve uma forte briga com o tio porque desejava se mudar para Viena, na Áustria, e noivar com outro homem. Hitler proibiu categoricamente a viagem. Jornais independentes da época chegaram a noticiar que o corpo da jovem apresentava marcas de agressão física, indicando que houve luta corporal antes do disparo.

Qual foi a reação e a versão divulgada na época?

Assim que a morte foi confirmada nos bastidores, cúpulas do Partido Nazista realizaram reuniões de emergência para alinhar a narrativa que seria entregue à imprensa e à população. O objetivo principal era evitar que o escândalo destruísse a carreira política do líder extremista.

Após a tragédia, Hitler entrou em um estado relatado por familiares como depressão profunda, ameaçando tirar a própria vida. Foi a partir deste episódio que ele declarou ter se tornado vegetariano, afirmando que a visão de carne nos pratos o fazia lembrar do cadáver da sobrinha ensanguentado.

O quarto onde Geli morreu foi transformado em um santuário trancado, decorado com flores e retratos da jovem, onde ninguém mais tinha permissão para entrar. Hermann Göring, uma das principais figuras do regime nazista, declarou anos mais tarde nos Tribunais de Nuremberg que a morte de Geli devastou a mente de Hitler e alterou para sempre sua forma de se relacionar com o mundo.

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