Ex-prefeito reaparece na campanha de Rodrigo Medeiros com apoio de Eduardo Cunha após deixar rombo de R$ 118,5 milhões no município
Dez anos após deixar a Prefeitura de Itaboraí com as contas rejeitadas, salários atrasados e uma insuficiência de caixa superior a R$ 118 milhões, Helil Cardozo tenta voltar à “cena do crime”. Desta vez, o ex-prefeito reaparece como apoiador da candidatura de Rodrigo Medeiros a deputado estadual, em uma articulação com a participação de seu antigo padrinho político, Eduardo Cunha.
Ex-prefeito de Tanguá, Rodrigo deixou o comando do município para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Já Helil tenta reconstruir sua influência em Itaboraí, onde encerrou o mandato desgastado e terminou a eleição de 2016 na última colocação, com apenas 4,91% dos votos válidos.
Antigo aliado de Helil, Eduardo Cunha apoia a candidatura de Rodrigo. Mesmo disputando uma vaga de deputado federal por Minas Gerais, o ex-presidente da Câmara mantém articulações políticas no Rio.
A participação de Helil na campanha, porém, resgata um histórico negativo para os moradores de Itaboraí. Parecer do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apontou que ele encerrou o mandato com insuficiência de caixa de R$ 118.520.370,29. O órgão recomendou a rejeição das contas de 2016 e determinou o envio de informações ao Ministério Público Estadual.
Entre os problemas apontados estavam a abertura de R$ 234,4 milhões em créditos adicionais e a extrapolação do limite de despesas com pessoal. As contas de 2014 também haviam recebido parecer contrário do TCE-RJ.
O fim da administração foi marcado ainda por atrasos nos pagamentos. Ao assumir o município, em janeiro de 2017, o então prefeito Sadinoel afirmou que servidores aguardavam salários desde outubro. Na Educação, profissionais encerraram 2016 sem receber o 13º, enquanto terceirizados acumulavam até quatro meses de atraso.
Também foram identificados problemas na contratação da coleta de lixo. Um edital estimado em R$ 22 milhões recebeu 13 questionamentos do TCE-RJ, e as multas pela demora no cumprimento das exigências somavam R$ 348 mil.
O desgaste apareceu nas urnas. Mesmo com o apoio de Eduardo Cunha, Helil recebeu apenas 5.684 votos e ficou atrás de todos os adversários na tentativa de reeleição.
Agora, tenta reaparecer como liderança e transferir votos para Rodrigo Medeiros. A campanha apresenta uma nova composição, mas recoloca em cena antigos aliados.













