O governo federal bloqueou mais de 11.700 sites de apostas online que continuavam fazendo propaganda irregular no país. A medida começou a valer nesta terça-feira e atinge plataformas e grupos que prometiam lucros fáceis.
Força-tarefa federal mira propagandas enganosas de apostas
Uma força-tarefa montada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério da Fazenda identificou milhares de páginas fora da lei. O trabalho contou com a atuação direta do CyberLab, que é o laboratório de inteligência cibernética do governo, em conjunto com a Secretaria de Apostas da Fazenda.
As equipes rastrearam endereços digitais que continuavam exibindo anúncios para atrair apostadores, desrespeitando as regras federais. A fiscalização localizou propagandas agressivas prometendo enriquecimento rápido, com mensagens garantindo que um depósito de R$ 50 se transformaria em R$ 1.000 em poucos minutos.
Segundo a investigação federal, essas páginas operavam sem qualquer autorização oficial e incentivavam a população a colocar economias em esquemas sem garantia de retorno. O governo informou que a estimativa diária de movimentação dessas redes chegava a centenas de milhões de reais antes da intervenção.
Canais no Telegram e redes sociais também foram desativados
O pente-fino digital não ficou restrito aos navegadores de internet tradicionais. A operação derrubou 1.500 páginas no Facebook e suspendeu 110 perfis no Instagram que divulgavam links diretos para plataformas irregulares.
No aplicativo de mensagens Telegram, o impacto foi ainda mais expressivo. Foram eliminados canais que, somados, reuniam mais de 1,3 milhão de pessoas cadastradas para receber palpites falsos e links de depósito imediato.
De acordo com os investigadores, esses grupos eram usados por influenciadores e intermediários para driblar os filtros convencionais da internet e empurrar jogos proibidos para o público trabalhador em seus próprios celulares.
O que já se sabe sobre o dinheiro retido nas plataformas
O prazo estabelecido pelo Ministério da Fazenda para que os usuários retirassem o saldo mantido nessas contas encerrou na segunda-feira, às 23h59. A partir desta terça-feira, o acesso técnico a esses sistemas foi completamente bloqueado no território nacional.
A orientação oficial era para que qualquer cidadão retirasse imediatamente o valor disponível para sua própria conta bancária antes do corte do sinal. Com a derrubada dos servidores, quem não efetuou o resgate a tempo enfrenta agora dificuldade técnica para contatar essas empresas, já que muitas não possuem sede no Brasil.
O Ministério da Justiça afirmou que o total de páginas derrubadas deve aumentar ao longo da semana, pois o monitoramento do CyberLab continua varrendo servidores para impedir o retorno das atividades sob novos endereços.
O que fazer se você foi vítima de golpe em aposta online
O trabalhador que teve prejuízos financeiros por causa de promessas fraudulentas ou páginas bloqueadas que sumiram com valores deve reunir comprovantes. O passo inicial é juntar extratos bancários, comprovantes de transferências via Pix e capturas de tela das conversas ou anúncios.
No Estado do Rio de Janeiro, a vítima pode registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia Eletrônica da Polícia Civil pelo portal oficial roldigital.policiacivil.rj.gov.br. Quem preferir atendimento pessoal pode procurar a delegacia de polícia do seu bairro ou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, localizada na Cidade da Polícia, na Rua Dom Hélder Câmara, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio.
Além da ocorrência criminal, a pessoa pode formalizar reclamação no Procon do município ou do Estado e registrar a situação no portal consumidor.gov.br, administrado pela Secretaria Nacional do Consumidor.
Como denunciar anúncios e plataformas ilegais
Quem flagrar anúncios de apostas prometendo ganhos garantidos ou identificar perfis suspeitos que continuam ativos pode acionar as autoridades de forma anônima. O governo federal disponibiliza o canal de atendimento Fala.BR para receber comunicações de crimes cibernéticos.
No Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, a população tem à disposição o Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177, que opera durante 24 horas por dia com sigilo absoluto garantido. O serviço também aceita denúncias pelo aplicativo Disque Denúncia RJ, onde é possível anexar links e fotos de materiais ilegais.
Denúncias também podem ser formalizadas diretamente no Ministério Público Federal por meio da Sala de Atendimento ao Cidadão pela internet, ajudando a instruir as investigações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro e exploração clandestina de jogos.














