Golpe do taxímetro no Galeão adulterava corrida em até 50%

A Polícia Civil deflagrou uma operação nesta quinta-feira contra um esquema criminoso de adulteração de taxímetros no Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador. A fraude encarecia o valor final das corridas em até 50%.

Dispositivo eletrônico secreto inflava o preço das viagens

As investigações conjuntas revelaram uma engrenagem técnica montada para lesar quem desembarca no terminal aéreo carioca. A força-tarefa reuniu agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial, da Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo.

As equipes saíram para cumprir mandados judiciais de busca e apreensão em diversos pontos da capital fluminense. As ações se concentraram em endereços nos bairros do Rocha e Piedade, na Zona Norte, no Centro do Rio e nas dependências do próprio aeroporto. A ofensiva teve apoio da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas da corporação.

Segundo a apuração, os veículos recebiam uma placa eletrônica clandestina ligada diretamente à fiação do taxímetro. A peça ficava oculta atrás de um botão do porta-malas, fora da vista do passageiro. O motorista conseguia acionar o botão de maneira discreta para multiplicar os pulsos do sensor do carro, gerando um salto imediato de 20% no valor registrado.

A perícia realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli confirmou a adulteração após analisar um veículo denunciado por um usuário. A vítima havia desembarcado de um voo e notou disparos repentinos no marcador durante a viagem em direção à Zona Sul do Rio.

Empresa de locação e ligação com o tráfico de drogas

Os policiais civis descobriram que a fraude não partia de iniciativas isoladas dos motoristas que circulavam pela área. Documentos apreendidos durante as diligências apontam que a própria empresa responsável pela locação dos automóveis exigia a instalação do componente fraudulento.

A montagem do sistema ocorria em uma oficina mecânica específica indicada pelo grupo empresarial. A polícia estima que a frota sob investigação alcance cerca de 200 automóveis. Há indícios de que alguns veículos já saíam da oficina configurados para operar em modo automático permanente, elevando o valor sem necessidade de toque manual.

O inquérito também mapeou a presença de captadores irregulares de passageiros, chamados internamente de jóqueis. Esses homens abordavam viajantes recém-chegados, com foco especial em turistas estrangeiros e pessoas de fora da cidade. Em seguida, encaminhavam as vítimas para carros não autorizados a operar no terminal aeroportuário.

As corridas combinadas de forma irregular chegavam a valores abusivos que ultrapassavam a marca de R$ 900 para trajetos até a Zona Sul carioca. De acordo com os investigadores, a atividade desses captadores recebe coordenação direta de um integrante do tráfico de drogas da comunidade do Barbante, localizada nas proximidades do aeroporto, na Ilha do Governador.

O que já se sabe sobre a apuração

O caso começou a ser desvendado após uma denúncia formal prestada na delegacia por um passageiro lesado no desembarque. Ao notar a diferença exorbitante no preço comum do trajeto, a vítima procurou os agentes públicos para formalizar o relato e indicar as características do carro.

A partir dessa queixa, os policiais localizaram o automóvel envolvido e realizaram a apreensão preventiva para vistoria técnica minuciosa. O laudo dos peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli comprovou a manipulação do pulso elétrico e deu sustentação aos pedidos de busca expedidos pela Justiça.

Durante as diligências desta quinta-feira, diversas pessoas foram conduzidas para prestar depoimentos formais na delegacia. A investigação apurou ainda que os operadores do esquema tentavam intimidar taxistas devidamente credenciados para forçar uma cooperação com os captadores do Barbante, mas a polícia informou que a imposição não havia se concretizado nos pontos regulamentados.

Como denunciar fraudes e coações

Quem presenciar abordagens agressivas de captadores clandestinos ou suspeitar de cobranças indevidas pode repassar detalhes anonimamente ao Disque Denúncia do Rio de Janeiro. A central atende ligações telefônicas 24 horas por dia pelo número 2253-1177, sem necessidade de identificação pessoal.

Outra alternativa é acionar a própria Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional, instalada dentro do terminal do Galeão, para atendimento presencial imediato. Casos envolvendo coação praticada por criminosos também podem ser direcionados à delegacia da região ou reportados pelo aplicativo oficial do Disque Denúncia.

O que fazer se você foi vítima do golpe

O passageiro que desconfiar de valores muito acima do padrão ou notar alterações bruscas no taxímetro deve solicitar o recibo da corrida ao final do trajeto. Anotar a placa do veículo, o modelo do carro e o nome do condutor exibido no cartão de identificação é fundamental para viabilizar a apuração criminal.

Com as informações em mãos, a vítima pode procurar a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo, localizada na Rua Humberto de Campos, número 315, no Leblon, ou recorrer à Delegacia de Atendimento Policial do Galeão. Também é possível registrar um boletim de ocorrência pela internet, por meio do portal oficial da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro na Central de Flagrantes Eletrônica.

Foto: Extra

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