A Polícia Civil investiga um homem suspeito de aplicar golpes financeiros em mulheres que conhecia através de aplicativos de relacionamento. Uma das vítimas teve um prejuízo calculado em cerca de R$ 30 mil após emprestar quantias que nunca foram devolvidas.
Ao ser cobrado pela mulher enganada, o investigado chegou a debochar da situação em mensagens de áudio gravadas, afirmando com arrogância que não temia a Justiça nem a cadeia por possuir curso superior completo.
Suspeito debochava de cobranças e acumulou denúncias
Pelo menos cinco mulheres já compareceram formalmente a delegacias para prestar depoimento e denunciar a mesma conduta do suspeito. Segundo os relatos apresentados às autoridades policiais, Fernando Vasco Fernandes se aproximava das vítimas fingindo interesse amoroso sincero nas conversas de aplicativos. Com o tempo e a criação de um vínculo emocional de confiança, ele passava a relatar problemas financeiros emergenciais e pedia transferências em dinheiro emprestado.
Quando as quantias solicitadas começavam a se acumular e as mulheres cobravam a devolução do dinheiro prometido, a postura amigável mudava por completo. Em uma das gravações entregues à polícia por uma vítima que perdeu R$ 30 mil, o suspeito ironizou os avisos de que ela registraria o caso formalmente na delegacia e na Justiça. O homem alegou que possuía formação de nível superior e que, por conta disso, desfrutaria de regalias e nunca acabaria atrás das grades. Ele ainda garantiu que a mulher não receberia nem um único centavo dele ou de seus parentes.
Como funciona o golpe do amor nos aplicativos
O chamado estelionato sentimental tem se multiplicado rapidamente no ambiente digital e atinge vítimas de diferentes idades e classes sociais. O método segue um padrão claro e muito perigoso. Primeiramente, o golpista cria um perfil atraente e demonstra atenção constante, mandando mensagens carinhosas e fazendo promessas de futuro compartilhado para acelerar a intimidade do casal.
Após conquistar a confiança da vítima, a narrativa muda para o surgimento de crises urgentes e dramáticas. São desculpas frequentes como contas bancárias temporariamente bloqueadas por engano, negócios lucrativos em fase final que dependem de uma taxa pontual ou imprevistos graves de saúde. Constrangida e acreditando que está amparando um parceiro de boa-fé, a pessoa cede e faz depósitos ou transferências via Pix. Assim que o dinheiro cai na conta, o suspeito adota evasivas, bloqueia contatos ou passa a intimidar quem tenta cobrar os valores.
O que fazer se você foi vítima desse tipo de crime
Quem desconfiar de estar sendo vítima de estelionato precisa agir com rapidez para preservar as provas e evitar perdas maiores no bolso. A principal orientação de segurança é cortar qualquer nova transferência de recursos imediatamente, independentemente das promessas ou pressões psicológicas feitas pela outra parte.
O passo seguinte é registrar a ocorrência policial. O cidadão pode comparecer a qualquer delegacia de bairro da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro ou registrar a denúncia virtualmente através do portal oficial da Delegacia Eletrônica. Para fundamentar a queixa, apresente os seguintes dados organizados:
- Prints nítidos de todas as conversas mantidas nos aplicativos de namoro e no WhatsApp.
- Áudios salvos, fotos enviadas pelo indivíduo e dados de perfis em redes sociais.
- Comprovantes bancários com registros de chave Pix, horários das transações e agência de destino.
- Extratos detalhados que comprovem a saída das quantias solicitadas.
Como denunciar atitudes suspeitas de forma anônima
Casos de golpes, fraudes virtuais e paradeiro de foragidos da Justiça podem ser reportados à polícia com sigilo total de identidade. Qualquer cidadão que possua pistas sobre suspeitos ou queira reportar esquemas de fraude financeira pode utilizar os canais de atendimento comunitário.
No Estado do Rio de Janeiro, o Disque Denúncia funciona ininterruptamente durante 24 horas por dia através do telefone fixo e WhatsApp oficial no número (21) 2253-1177. A ligação é completamente anônima, sem gravação de número ou identificação do informante. Manter a atenção ao histórico de contatos na internet e nunca emprestar recursos a quem se conheceu recentemente pela tela do telefone é a forma mais eficaz de proteger seu patrimônio.














