A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Civil do Distrito Federal cumprem mandados contra mulheres suspeitas de aplicar golpes financeiros. O bando fingia atuar em bancos e deixava vítimas com dívidas de até R$ 60 mil.
A ofensiva, chamada de Operação Portabilidade Fantasma, teve como foco prender três mulheres investigadas por integrar o esquema e cumprir cinco mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro.
Como funcionava a farsa das falsas bancárias
Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo criminoso abordava trabalhadores e aposentados oferecendo condições supostamente vantajosas para a redução de juros. As mulheres entravam em contato afirmando que trabalhavam para grandes instituições financeiras conhecidas no mercado nacional.
A promessa principal era fazer a portabilidade da dívida de empréstimos consignados ou pessoais já existentes. Para convencer a vítima, as suspeitas afirmavam que o saldo devedor seria transferido para outro banco com parcelas menores ou prazo reduzido. O cliente acreditava estar fechando um negócio legal para economizar no orçamento doméstico.
No entanto, a operação nunca acontecia dessa forma. As criminosas pegavam os dados pessoais e bancários das pessoas e realizavam novas contratações de empréstimo. Em seguida, orientavam as vítimas a transferir os valores liberados sob a alegação de que o dinheiro serviria para quitar a dívida anterior. Quando percebia a fraude, o cidadão descobria que a dívida antiga continuava ativa e que um novo financiamento havia sido colocado em seu nome, dobrando o prejuízo.
O que já se sabe sobre a investigação
O inquérito começou após uma pessoa procurar a delegacia no Distrito Federal ao descobrir um rombo de R$ 60 mil em suas contas. A equipe da Polícia Civil do Distrito Federal cruzou os dados bancários e identificou que o núcleo da quadrilha atuava diretamente a partir do Rio de Janeiro.
Com as provas reunidas, os policiais civis brasilienses solicitaram o apoio de agentes fluminenses para localizar os endereços das acusadas. Os mandados de busca e apreensão visam recolher celulares, computadores, contratos e registros de transações que ajudem a identificar quantas pessoas caíram no esquema pelo país.
A polícia investiga agora se funcionários de financeiras ou correspondentes bancários repassavam listas com nomes de pessoas endividadas para as suspeitas. Esse vazamento prévio facilitava a abordagem convincente, já que as mulheres sabiam exatamente quanto a vítima devia e em qual banco mantinha o contrato original.
Como se proteger da portabilidade falsa
Para evitar cair em golpes do empréstimo consignado ou da portabilidade, o consumidor deve adotar cuidados básicos no dia a dia. Especialistas e órgãos de segurança pública recomendam nunca aceitar propostas financeiras feitas por aplicativos de mensagens ou ligações de números desconhecidos.
- Nenhum banco pede transferência: Instituições financeiras não exigem Pix ou TED para liberar crédito ou para quitar contratos anteriores em caso de portabilidade. A troca de dívida ocorre automaticamente entre as instituições envolvidas.
- Não compartilhe senhas: Jamais envie fotos de documentos, selfies com identidade ou códigos recebidos por SMS para intermediários. Esses dados costumam ser usados na biometria facial para validar novos contratos.
- Consulte os canais oficiais: Caso receba uma oferta vantajosa, ligue para o telefone do verso do seu cartão bancário ou vá até a sua agência antes de assinar qualquer documento digital.
- Bloqueie ligações indesejadas: A plataforma federal Não Me Perturbe (pelo site naomeperturbe.com.br) permite bloquear chamadas de empresas de telemarketing e de oferta de crédito consignado.
O que fazer se você foi vítima
Quem caiu na armadilha ou percebeu descontos indevidos no contracheque deve agir com rapidez para reduzir o prejuízo financeiro. O primeiro passo é registrar o caso na delegacia de polícia mais próxima da sua residência.
No Rio de Janeiro, o registro de ocorrência por estelionato pode ser feito presencialmente em qualquer unidade distrital da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro ou por meio da internet, acessando a Delegacia Online (dedicada ao atendimento remoto no site oficial da corporação). Guarde cópias das mensagens, extratos bancários, comprovantes de envio de dinheiro e contratos falsos para anexar ao inquérito.
Em seguida, procure imediatamente a ouvidoria do banco onde o novo empréstimo foi contratado para contestar a operação por fraude. Se o banco não resolver o problema, abra uma reclamação formal no Procon do Rio de Janeiro e no portal consumidor.gov.br, mantido pela Secretaria Nacional do Consumidor. A vítima também pode acionar o Banco Central do Brasil para relatar a conduta inadequada da instituição.
Como denunciar esquemas de estelionato
A população fluminense pode contribuir com informações sobre operadores de centrais clandestinas de empréstimo e integrantes de quadrilhas de fraude bancária. Para isso, o Disque Denúncia do Rio funciona de forma ininterrupta, garantindo o anonimato de quem passa os dados.
O contato pode ser feito a qualquer hora do dia ou da noite pelo telefone (21) 2253-1177. Há também a opção de enviar informações pelo aplicativo oficial do Disque Denúncia RJ. Os relatos repassados são encaminhados diretamente aos investigadores responsáveis pelo combate a crimes de estelionato e fraudes financeiras no estado.















