Fla-Flu veta Maracanã e quer Vasco x Boca Juniors no Engenhão

A concessionária Fla-Flu Serviços S.A. negou a liberação do Maracanã para Vasco e Boca Juniors no dia 20 de outubro, em petição à Justiça, indicando o Estádio Nilton Santos como alternativa para a semifinal da Copa Sul-Americana.

O confronto decisivo exige capacidade mínima de 30 mil torcedores, exigência técnica que impede o clube da Colina de atuar em São Januário. Por conta dessa barreira de público, o cruz-maltino ingressou com pedido de liminar para abrir os portões do Maracanã, mas a gestão do complexo esportivo insiste na proibição.

Consórcio alega desgaste da grama e recomenda Engenho de Dentro

Na manifestação enviada ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro no domingo, 4 de outubro, a concessionária Fla-Flu Serviços S.A. defendeu que a decisão segue laudos e relatórios de conservação do campo. O consórcio alegou que a realização recente da partida da National Football League, disputada entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens em 27 de setembro, danificou intensamente a superfície natural.

Segundo a administração conjunta de Flamengo e Fluminense, até mesmo a liga norte-americana reclamou do piso e foi preciso planejar a troca total do tapete verde. A concessionária frisou que colocar mais um jogo com carga pesada de ingressos prejudicaria de forma irreversível os trabalhos de recuperação previstos para as próximas semanas na Zona Norte.

Como saída oficial para o embate sul-americano, o documento sugere o deslocamento dos torcedores para o Estádio Nilton Santos, localizado no Engenho de Dentro. Para sustentar a proposta, a administradora lembrou que a arena botafoguense sediou com sucesso a semifinal da Taça Libertadores em 23 de outubro de 2024, a final da Recopa em 27 de fevereiro de 2025 e as oitavas da Sul-Americana em 20 de agosto de 2026.

Por que São Januário não pode receber o confronto?

O regulamento de segurança e infraestrutura da Confederação Sul-Americana de Futebol determina que duelos a partir da fase semifinal aconteçam em estádios com capacidade para pelo menos 30 mil pessoas sentadas. A casa tradicional do Vasco, situada no bairro de Vasco da Gama, comporta pouco mais de 21 mil espectadores e fica automaticamente inviabilizada pelos critérios do torneio.

Sem autorização prévia da entidade esportiva para atuar em seu próprio campo histórico, o clube carioca precisa obrigatoriamente de outro espaço de grande porte dentro da região metropolitana. A busca pelo Maracanã decorre tanto do vínculo contratual de concessão do bem público concedido pelo Governo do Estado quanto da facilidade de acesso oferecida pelo metrô e pelos ramais de trem da Central do Brasil.

Qual é o argumento sobre o gramado sintético?

Outro ponto levantado pela concessionária foi a suposta adaptação do time vascaíno ao piso artificial instalado no estádio do Botafogo. O consórcio citou que a equipe atuou em 23 de agosto de 2026 no Nubank Parque, arena paulista do Palmeiras que utiliza grama sintética, e que voltará a jogar no mesmo local em 1º de novembro de 2026.

De acordo com o texto protocolado na Justiça fluminense, atuar no Nilton Santos em 20 de outubro serviria inclusive de preparação prática para o compromisso posterior em São Paulo. O Vasco, por outro lado, contesta publicamente essa linha e defende seu direito de atuar no Maracanã como equipamento pertencente à população do Rio de Janeiro.

Como fica o transporte de quem vai aos estádios?

A definição do local mexe diretamente na logística de deslocamento de dezenas de milhares de torcedores na noite da partida. Enquanto o Maracanã conta com integração rápida pelas linhas 1 e 2 do MetrôRio e pela estação multimodal de trens da SuperVia, o Nilton Santos depende fortemente do ramal ferroviário de Deodoro e das linhas municipais de ônibus que cortam o Engenho de Dentro.

Se o jogo for confirmado no Nilton Santos, o público que sai da Central do Brasil precisará utilizar os trens urbanos paradores ou expressos até a estação Olímpica de Engenho de Dentro, além das linhas de coletivo que circulam pela Rua Amaro Cavalcanti e pela Rua 24 de Maio. No Maracanã, o acesso tradicional se concentra no entorno da Avenida Presidente Castelo Branco e da Rua São Francisco Xavier.

O que falta para a Justiça decidir a liminar?

O Tribunal de Justiça do Rio havia estipulado o prazo de 48 horas na sexta-feira, 3 de outubro, para manifestação dos administradores do estádio. Com as explicações protocoladas pela defesa da concessionária, o juiz responsável pela ação deve emitir a sentença liminar nos próximos dias.

Até a divulgação da ordem judicial, a data de 20 de outubro permanece confirmada no calendário oficial da Sul-Americana, mas os torcedores vascaínos e argentinos seguem sem a abertura da venda oficial de ingressos e sem cronograma divulgado para troca física de bilhetes nas bilheterias.

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