Fiocruz acha cocaína em rios do Rio e alerta para risco na água

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz identificaram a presença de cocaína e subprodutos da droga em rios que cortam a cidade do Rio de Janeiro. O material chega aos cursos d’água principalmente pelo esgoto sem tratamento despejado diariamente na região metropolitana.

O estudo acende um alerta sobre a qualidade ambiental dos afluentes que desaguam em baías e praias usadas pela população. A contaminação afeta a fauna marinha e expõe a precariedade crônica do saneamento básico nos bairros cariocas e da Baixada Fluminense.

Poluição por drogas expõe falhas históricas no esgoto do Rio

As análises laboratoriais feitas pelos cientistas do Instituto Oswaldo Cruz detectaram substâncias químicas derivadas do consumo de entorpecentes em amostras coletadas na malha fluvial urbana. Quando o usuário consome a droga, o organismo elimina frações do composto pela urina, que vai parar na rede de esgoto convencional.

Como grande parte das bacias hidrográficas do Grande Rio não conta com coleta adequada ou estações com tecnologia para filtrar compostos farmacológicos e entorpecentes, esses resíduos chegam intactos à natureza. O resultado é uma contaminação invisível que se soma ao lixo doméstico e aos dejetos comuns que poluem canais como o Rio Meriti, o Rio Sarapuí e os rios da Zona Norte.

Especialistas da área ambiental apontam que a presença desse tipo de poluente interfere diretamente no ciclo biológico de peixes, crustáceos e outros animais aquáticos. Além disso, o cenário reforça a urgência de obras estruturais nas redes concessionadas que operam na capital e nos municípios vizinhos.

A água que sai da torneira corre perigo?

A principal preocupação de quem mora no Rio é saber se a água tratada que abastece as residências oferece risco imediato de intoxicação. Segundo os especialistas em saneamento, as estações de tratamento de água potável realizam processos rigorosos de decantação, cloração e filtragem para eliminar bactérias e impurezas comuns.

No entanto, a comunidade científica global debate com frequência a necessidade de modernizar as estações para reter micropoluentes, categoria que inclui drogas, hormônios e antibióticos. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos e as concessionárias privadas afirmam que monitoram os parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde, garantindo que a água distribuída esteja própria para consumo.

Mesmo assim, pesquisadores alertam que a presença continuada de compostos químicos nos corpos hídricos brutos sobrecarrega os sistemas de captação e eleva os custos de tratamento. Isso torna todo o processo de limpeza da água mais complexo e caro para o poder público e para as empresas operadoras.

O que muda para quem vive perto dos canais e rios?

Para o morador que convive com rios poluídos na porta de casa, o estudo reforça a necessidade de evitar qualquer contato direto com a água bruta. Rios como o Maracanã, o Faria-Timbó e os canais que cortam a Baixada Fluminense continuam impróprios para banho, pesca ou lazer de qualquer natureza.

Em dias de chuva forte, quando ocorrem enchentes e transbordamentos, o perigo de contaminação aumenta de forma considerável. Além de doenças bacterianas como a leptospirose, o contato com o esgoto expõe crianças e adultos a uma mistura densa de produtos químicos industriais e resíduos biológicos acumulados nas margens.

Quem depende da pesca artesanal em áreas próximas à foz desses rios também enfrenta perdas econômicas. A contaminação compromete a reprodução de espécies comerciais e desvaloriza o pescado capturado nas margens de áreas densamente habitadas.

Quem responde pelo saneamento e pela fiscalização

A responsabilidade pela expansão da rede de coleta e tratamento de esgoto na capital e na Baixada é das concessionárias privadas que assumiram os blocos de saneamento, sob regulação do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da agência reguladora Agenersa.

O Instituto Estadual do Ambiente tem o dever de fiscalizar o lançamento de efluentes clandestinos e monitorar periodicamente os índices de poluição nas bacias hidrográficas. Os contratos de concessão preveem metas obrigatórias de universalização da coleta nos próximos anos, mas obras em favelas e áreas de ocupação irregular ainda avançam em ritmo lento.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também mantém inquéritos civis abertos para acompanhar se os investimentos prometidos pelas concessionárias estão sendo cumpridos dentro dos prazos estabelecidos em contrato.

Como denunciar vazamento de esgoto e esgoto clandestino

O morador que identificar esgoto a céu aberto correndo diretamente para canais, galerias pluviais ou rios do seu bairro pode acionar os canais oficiais de fiscalização e cobrança:

  • Concessionária Águas do Rio: atendimento telefônico gratuito e WhatsApp pelo número 0800 195 0195, com funcionamento 24 horas por dia.
  • Instituto Estadual do Ambiente (Inea): denúncias ambientais podem ser feitas pelo telefone (21) 2332-4604 ou presencialmente na sede, localizada na Avenida Venezuela, 110, na Zona Portuária do Rio, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
  • Disque Denúncia: para relatar despejo irregular de poluentes por fábricas ou pontos de descarte ilegal de esgoto, ligue para (21) 2253-1177, com sigilo garantido.
  • Agência Reguladora (Agenersa): para reclamar sobre serviços não realizados pelas concessionárias, o telefone da ouvidoria é 0800 026 8555, disponível de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Manter o registro dos protocolos de atendimento gerados durante as ligações é fundamental para acionar a Defensoria Pública ou os órgãos de defesa do consumidor caso o vazamento não seja reparado pelas empresas responsáveis.

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