Os fiéis rezam por paz na Penha neste domingo (2), em meio à dor e ao medo que tomaram conta da comunidade após a megaoperação policial que deixou 121 mortos na última semana. A missa do Dia de Finados, celebrada na Paróquia Bom Jesus da Penha, reuniu moradores que pediram proteção, consolo e o fim da violência que transformou o bairro em cenário de horror.
O padre Marcos Vinícius Aleixo, responsável pela celebração, conduziu as orações em intenção das famílias das vítimas — entre elas quatro policiais e 117 civis — e falou sobre o impacto emocional da operação. “Todos que vêm, sejam mães, familiares ou amigos, nós temos acolhido, rezado e intercedido por essas pessoas neste momento de dor”, disse o sacerdote.
O clima de insegurança ainda domina o cotidiano dos moradores. Segundo o padre, a frequência nas missas diminuiu nos últimos dias por medo de novos confrontos. “A insegurança reina no bairro. Muitas pessoas têm medo de sair de casa, até mesmo de vir à igreja”, relatou.
A igreja fica a pouco mais de um quilômetro da Praça São Lucas, onde corpos de vítimas foram reunidos após a operação, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. A ação, batizada de “Operação Contenção”, teve como alvo o Comando Vermelho, facção que domina parte do território entre os complexos do Alemão e da Penha.
Entre os fiéis, o sentimento é de apreensão e revolta. Uma moradora, que preferiu não se identificar, disse se sentir “encurralada” entre o crime organizado e as forças policiais. “A gente não tem sossego. Fica no meio do fogo cruzado. Pedem até pedágio para passar na rua. É tranquilidade que a gente quer. Não temos mais paz”, desabafou.
Outro morador, também sem se identificar, afirmou que a operação deixou a população dividida entre a indignação e o alívio momentâneo. “O Rio todo está largado na segurança. De certa forma, parece que estão fazendo algo. Mas ninguém é bonzinho. Todo mundo sofre”, comentou.
O padre Marcos ressaltou que a comunidade vive um período de trauma e medo. “O barulho dos tiros, as lembranças e a ansiedade tomaram conta das pessoas. São famílias que só querem viver com dignidade e segurança, mas estão presas em um ciclo de violência que não escolhem”, afirmou.
A missa terminou com uma corrente de oração pelas vítimas da operação e pela restauração da paz na Penha. Muitos fiéis deixaram o templo emocionados, com velas nas mãos, pedindo que a fé se torne um refúgio em meio à violência.














