Festa de 80 anos da Feira de São Cristóvão terá Elba Ramalho como destaque no próximo dia 19, em celebração ao Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. O espaço, considerado um dos maiores redutos culturais do Rio, completou oito décadas de existência no último dia 2 de setembro, data simbólica que remete à leitura do cordel “Fim da Guerra” feita pelo poeta Raimundo Santa Helena para pracinhas que retornavam da Europa em 1945.
Ao longo dos anos, a feira passou por transformações significativas. De um encontro improvisado aos domingos em barracas na rua, o espaço tornou-se um dos principais atrativos turísticos e culturais da cidade após a transferência para o Pavilhão de São Cristóvão, em 2002. Hoje, além da música, o público encontra comidas típicas, artesanato e até 70 karaokês, que se consolidaram como um chamariz para frequentadores mais jovens.
Para os comerciantes, o futuro reserva boas perspectivas. A expectativa é de que a feira atraia novos públicos com a chegada de empreendimentos residenciais na região, impulsionados pela expansão do Porto Maravilha. Também se espera que o espaço receba torcedores que frequentarão o futuro estádio do Flamengo no bairro. “A mudança para o pavilhão manteve a feira como reduto de nordestinos e ainda trouxe renovação de público. Colhemos frutos até hoje”, comentou Francisca Alda, a Chiquita, feirante com mais de quatro décadas de atuação.
Madrinha da feira, Elba Ramalho celebrou a oportunidade de se apresentar novamente no local. “A feira é uma referência da cultura nordestina. Já comprei produtos como carne de sol e manteiga de garrafa quando estive por lá, mas sempre de forma rápida para evitar tumultos. Sou logo reconhecida”, disse a cantora.
Além do show, a feira segue movimentando grandes quantidades de produtos vindos de cidades como Campina Grande (PB) e Caruaru (PE). São cerca de 600 quilos de carne seca, 24 mil queijos coalho e toneladas de feijão tropeiro e macaxeira comercializados mensalmente, reforçando a conexão direta com a cultura e a gastronomia nordestina.
Mesmo após momentos de crise, como dívidas milionárias e ameaças de fechamento, a feira se mantém viva e cada vez mais plural. Para os feirantes e visitantes, o aniversário de 80 anos simboliza não apenas a preservação de uma tradição, mas também a resistência cultural nordestina no coração do Rio de Janeiro.














