Ex-BBB Gabriela Hebling registra BO por racismo após ataque

A DJ e artista plástica Gabriela Hebling, que participou da 19ª edição do reality show Big Brother Brasil, registrou um boletim de ocorrência após ser vítima de ataque preconceituoso direcionado ao seu cabelo dentro de um estabelecimento comercial.

O episódio veio a público nesta quarta-feira, depois de a própria artista compartilhar parte do ocorrido em suas redes sociais. Ela decidiu formalizar o caso diretamente em uma delegacia para assegurar a punição legal dos responsáveis.

Ataque preconceituoso em comércio e registro formal de denúncia

Gabriela Hebling relatou que costuma frequentar o ponto comercial e até cumprimentou a autora da ofensa antes do episódio acontecer. De acordo com o depoimento gravado pela influenciadora, a mulher questionou publicamente quando ela pretendia pentear o próprio cabelo.

A reação da vítima foi imediata e firme. No vídeo compartilhado, a ex-BBB questiona a tentativa da agressora de disfarçar a agressão como se fosse uma brincadeira ou suposto elogio. A artista destacou que tais falas carregam um peso histórico de discriminação contra a identidade e a estética de pessoas negras.

Após o constrangimento, Gabriela explicou que decidiu levar o caso adiante para não silenciar diante da violência. A artista procurou a polícia, formalizou o registro da ocorrência e explicou que deixar esse tipo de atitude impune reforça agressões cotidianas contra toda a população negra.

O que já se sabe sobre o caso

A discussão começou dentro do estabelecimento, onde Gabriela gravou imagens logo após ouvir a provocação. O material audiovisual registrado no telefone da própria ex-BBB mostra o momento em que a artista rebate diretamente a agressora, apontando a gravidade das palavras proferidas.

Depois do ocorrido, a artista procurou as autoridades competentes para lavrar o boletim de ocorrência formal. A queixa oficial foi protocolada e a gravação pode ser utilizada pelas autoridades para identificar e intimar a agressora, além de eventuais testemunhas presentes no momento do fato.

Em outras ocasiões públicas, a artista plástica já havia defendido publicamente a valorização da estética e da ancestralidade negra. Em 2020, ela se manifestou durante outra edição do BBB em apoio ao ator carioca Babu Santana, que também foi alvo de chacotas ligadas ao uso de seu pente garfo.

O que fazer se você foi vítima de injúria racial ou racismo

Quem passa por uma situação semelhante não deve se calar. A legislação brasileira equipara a injúria racial ao crime de racismo, tornando a conduta imprescritível e inafiançável perante a Justiça. O primeiro passo da vítima é preservar provas materiais imediatas.

Caso haja gravações em vídeo, mensagens gravadas em aplicativos ou testemunhas que presenciaram a agressão, reúna todo esse material. É importante anotar nomes, horários exatos e telefones de pessoas que viram ou ouviram o ataque discriminatório.

Para quem está no Estado do Rio de Janeiro, o registro da ocorrência pode ser realizado presencialmente em qualquer unidade distrital da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) ou na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), localizada no Centro do Rio, na Rua da Relação, número 42. Há também a opção do registro pela Delegacia Eletrônica, no portal oficial da corporação (dedi.pcerj.rj.gov.br), caso a pessoa não consiga ir imediatamente ao posto físico.

Como denunciar atitudes racistas no Rio de Janeiro

Testemunhas de atos discriminatórios também podem acionar as autoridades de maneira totalmente segura e anônima. Manter o combate firme a esse tipo de crime é dever coletivo para evitar que novos ataques ocorram nos bairros da capital fluminense e na Baixada.

O serviço do Disque Denúncia no Rio opera de forma ininterrupta, 24 horas por dia, pelo telefone (21) 2253-1177. As denúncias também podem ser encaminhadas via aplicativo para celular ou pelo portal oficial do programa, mantendo sob sigilo a identidade do denunciante.

Em situações de flagrante em transporte público, praças ou estabelecimentos comerciais, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) deve ser acionada de forma imediata por meio da Central 190. A viatura mais próxima tem a obrigação de comparecer ao local para conduzir agressor e vítima para a delegacia da região.

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