Um esquema criminoso envolvendo PMs na Baixada Fluminense contava até com um “Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC)” para comerciantes que pagavam por segurança privada. A revelação foi feita pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público do Rio (MPRJ). Segundo a investigação, os policiais usavam a central para atender os “padrinhos”, como chamavam os clientes, e organizar patrulhamentos exclusivos nos estabelecimentos.
Nesta terça-feira (2), o MPRJ deflagrou uma operação para prender 11 policiais militares acusados de integrar o esquema. Dez foram capturados, e um segue foragido. Entre os presos está o soldado Marcelo Ferreira Chagas da Silva, que se apresentou à 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar um dia após a operação.
Em uma troca de mensagens interceptada pela investigação, uma comerciante de Belford Roxo cobra o serviço após o pagamento: “Depois pede para o teu pessoal dar uma parada aqui, porque só vocês encostando aqui já inibe”. O policial responde: “Falei com os amigos aqui”.
De acordo com o MPRJ, os policiais prestavam serviços privados de segurança armada usando viaturas, fardas e recursos públicos durante o horário de expediente. Comerciantes eram coagidos a pagar mensalidades, chamadas pelos PMs de “merenda”. Entre os “clientes” estavam restaurantes, mercados, postos de combustíveis, farmácias, clínicas, universidades e até um posto do Detran.
“O que se constatou foi a institucionalização de uma lógica perversa, em que agentes pagos com recursos públicos para proteger a coletividade passaram a vender segurança como um privilégio particular”, afirmou o promotor Fabio Corrêa, coordenador do Gaesp.
A operação também apreendeu celulares, munições e uma pequena quantidade de drogas. Os policiais vão responder por organização criminosa, corrupção passiva e peculato.
A Polícia Militar informou que não compactua com desvios de conduta e destacou que, em 2023, lançou o Plano de Integridade para combater fraudes e atos de corrupção na corporação.
Conheça os agentes denunciados pelo MPRJ
Veja quem são os 11 policiais militares acusados de integrar o esquema criminoso e entenda a participação de cada um, de acordo com a denúncia do Ministério Público:
1 – Marcelo Ferreira Chagas da Silva
O soldado de 41 anos, atualmente lotado no 39º BPM (Belford Roxo), ingressou na organização criminosa em 2023.
2 – Jaime Candido de Jesus Vicente
Com 38 anos, o soldado, conhecido como “carteiro”, fazia parte do esquema desde 2020. Atualmente está no Batalhão de Polícia de Turismo, em Copacabana.
3 – Rodrigo Alves dos Santos Viana
O 3º sargento, de 41 anos, ingressou no esquema em 2023. Hoje integra o quadro do 39º BPM.
4 – Ivaney José Dias Gama
Cabo de 42 anos, lotado no 15º BPM (Duque de Caxias), entrou no esquema em 2021.
5 – Rodrigo Vasconcellos de Oliveira
O 3º sargento, de 43 anos, lotado no 39º BPM, participou do grupo a partir de 2023.
6 – Pablo Felix Regis
2º sargento do 39º BPM, tem 48 anos e aderiu à organização criminosa em 2022.
7 – Ubiratan Matos Ferreira
O 3º sargento, de 41 anos, integrou o esquema ao longo de 2024. Está lotado no 39º BPM.
8 – André Luiz de Oliveira Monsores
Cabo do 12º BPM, atua no grupo desde o segundo semestre de 2022. Tem 44 anos.
9 – Rafael da Silva Santos
Conhecido como “Sapo”, o cabo, de 42 anos, lotado no 20º BPM, ingressou no esquema em dezembro de 2020.
10 – Rafael da Fonseca Carvalho
Cedido à Prefeitura de Belford Roxo, o cabo de 41 anos faz parte do grupo desde dezembro de 2020.
11 – Felipe de Paula Lameira da Silva
Cabo de 37 anos, lotado no 39º BPM. Entrou para o esquema no segundo semestre de 2021.
Funções dentro do esquema
Segundo o MPRJ, cada policial poderia atuar em uma ou mais destas atividades:
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Obtenção de novos “padrinhos” (clientes).
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Recolhimento de pagamentos mensais.
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Atendimento aos chamados dos “padrinhos” com patrulhamento exclusivo.
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Divisão dos lucros entre os integrantes.
O Ministério Público apontou ainda que o grupo extorquia até traficantes de drogas para obter vantagens financeiras.














