Entregador passa mal em ação da Guarda em Ipanema e caso vai para a delegacia

Um entregador de aplicativo teve convulsões e desmaiou durante uma abordagem da Guarda Municipal do Rio de Janeiro na tarde deste domingo, na Rua Francisco Otaviano, em Ipanema, na Zona Sul da capital fluminense.

Pessoas que passavam pelo local gravaram a cena com celulares e gritaram pedindo para os guardas interromperem a imobilização. O trabalhador recebeu disparos de arma de choque e acabou levado para a delegacia após a confusão.

Ação da Guarda Municipal em Ipanema termina com entregador desmaiado

A abordagem violenta revoltou quem caminhava entre os bairros de Ipanema e Copacabana. Imagens gravadas por pedestres mostram os agentes em cima do entregador caído no chão, enquanto pessoas ao redor acusavam a equipe de truculência diante do homem que tremia na calçada.

Segundo relatos de testemunhas que estavam no local, os agentes acionaram a pistola de choque elétrico diretamente contra o ciclista durante a tentativa de imobilização. Logo em seguida, o rapaz começou a sofrer espasmos musculares involuntários, perdeu a consciência e gerou pânico imediato em quem tentava intervir pacificamente.

A versão da Guarda Municipal do Rio de Janeiro sustenta que o ciclista trafegava pela ciclofaixa e desrespeitou uma ordem expressa de parada próximo a uma faixa de pedestres. A corporação afirma que o homem quase atropelou uma mulher que atravessava a via naquele instante e acabou batendo em uma placa de sinalização usada pela fiscalização.

Ainda de acordo com a nota oficial enviada pela corporação, o entregador teria passado a desacatar os servidores públicos e resistido fisicamente quando recebeu voz de prisão. Foi nesse momento que os agentes dispararam o dispositivo elétrico incapacitante. A prefeitura alegou ainda que o homem recusou atendimento médico das equipes de socorro após recobrar a consciência.

O que já se sabe sobre o caso

O episódio aconteceu em um dos trechos mais movimentados da Zona Sul carioca, na ligação viária da Rua Francisco Otaviano entre Copacabana e Ipanema. Até o momento, as versões apresentadas mostram pontos de conflito direto sobre a conduta dos envolvidos na via pública.

De um lado, a Guarda Municipal do Rio de Janeiro afirma que agiu estritamente dentro da lei diante de desobediência no trânsito, desacato e agressão física por parte do ciclista. De outro lado, pedestres e vídeos que circulam nas redes sociais apontam excesso de força física contra um trabalhador que já estava no chão, sem oferecer ameaça armada.

O caso seguiu imediatamente para registro na 13ª Delegacia de Polícia (Copacabana). Na unidade policial, os agentes autuaram a ocorrência pelos crimes de desacato, desobediência, resistência e lesão corporal. Paralelamente, o comando da Guarda Municipal informou que abriu um procedimento apuratório interno na Corregedoria para analisar detalhadamente a conduta dos guardas e verificar se houve extrapolação do protocolo de uso da arma não letal.

Quem responde por isso e como fiscalizar

A ocorrência policial está sob investigação e análise do delegado titular da 13ª Delegacia de Polícia, situada na Rua Hilário de Gouveia, número 102, no bairro de Copacabana. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deve recolher as imagens de câmeras de segurança de comércios vizinhos e ouvir formalmente tanto as testemunhas civis quanto os servidores municipais.

A conduta funcional dos agentes municipais cabe à Corregedoria Geral da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, com sede na Avenida Pedro II, número 111, em São Cristóvão. A corporação possui canais internos para receber reclamações da população sobre abusos de autoridade e atuação desproporcional nas ruas.

Quem presenciar abusos por parte de agentes públicos municipais pode registrar manifestações na Ouvidoria Geral da Prefeitura do Rio pelo telefone 1746, que funciona todos os dias da semana durante 24 horas, ou comparecer diretamente ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para formalizar notícia de fato.

O que fazer se você foi vítima de abuso de autoridade

Qualquer cidadão que sofra ou presencie ações com excesso de força policial ou de guardas municipais tem direito de buscar reparação e proteção dos órgãos de controle. O primeiro passo é reunir provas concretas, como vídeos de celulares, fotografias do local, nomes e contatos de quem assistiu à abordagem.

Se houver ferimentos ou agressão com equipamentos elétricos, é indispensável procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou hospital público para atendimento e emissão de prontuário médico. Logo após, a vítima deve ir a uma delegacia de Polícia Civil registrar o boletim de ocorrência e solicitar formalmente o exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML).

Caso sinta receio de fazer a denúncia na delegacia da área, a pessoa pode acionar diretamente a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro pelo número 129 ou procurar a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) pelo telefone (21) 2730-6525. As denúncias contra ilegalidades praticadas por agentes públicos também podem ser enviadas de forma totalmente anônima para o Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177.

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