Empresa Ligada a Flávio Bolsonaro Lançou 3 Bets Sem Divulgação e Movimentou R$ 732 Mil em Apostas

Rede Loto, ligada a Flávio Bolsonaro em inquérito da PF, operou apostas sem alarde no Rio de Janeiro

A Rede Loto, pioneira na compra de licença para operar apostas online no Brasil e agora sob investigação da Polícia Federal por sua ligação com o senador Flávio Bolsonaro, apresenta um caso incomum no país.

A empresa, que tem o advogado Willer Tomaz e familiares dele como sócios, pagou R$ 5 milhões pela licença no Rio de Janeiro, chegou a lançar três casas de apostas e informou ter incorporado mais uma, mas abandonou cada uma das operações pouco depois de cada lançamento, sem realizar publicidade.

Essas informações foram divulgadas com base em relatórios da RioPag, empresa de intermediação de pagamentos também pertencente a Willer Tomaz, que informou à Loterj depósitos recebidos pela Rede Loto até fevereiro de 2025.

O Caminho da Rede Loto: Da Licença à Operação Discreta

A empresa, pertencente à Cathedral Holdings, uma offshore na Ilha da Madeira (Portugal) que pagou viagens para Flávio Bolsonaro, ganhou notoriedade por ser a primeira a apresentar a documentação para adquirir a licença vendida pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), em meados de 2023.

Constituída dias antes do lançamento do edital, a Rede Loto apresentou sua documentação no primeiro dia de credenciamento. No mesmo dia, toda a documentação já estava aprovada pela Loterj, então presidida por Hazenclever Cançado, advogado historicamente ligado ao bolsonarismo.

Em 24 de maio de 2023, a Rede Loto foi habilitada para operar apostas esportivas no Rio de Janeiro. A própria Cathedral Holdings realizou o depósito da outorga de R$ 5 milhões.

Três Casas de Apostas Lançadas e Abandono Rápido

Inicialmente, a empresa operou a partir da Loto Carioca, cujo perfil no Instagram teve sua primeira postagem em junho de 2023. Menos de dois meses depois, após uma publicidade com o ator Eri Johnson, o perfil deixou de ser atualizado e o site foi retirado do ar em outubro.

A operação se transformou na casa BestBet, lançada em novembro de 2023. O perfil no Instagram da BestBet teve posts diários até janeiro. Posteriormente, o perfil deixou de ser atualizado, embora o site tenha permanecido no ar até pelo menos setembro de 2024.

Em seguida, a Rede Loto anunciou à Loterj a intenção de substituir a BestBet pelas marcas Loto Legal e Blend365. No entanto, um dia depois, a empresa desistiu da inclusão da Blend365, mantendo o pedido para a Loto Legal.

Baixo Volume Financeiro e Contradições nas Declarações

A Rede Loto operou casas de apostas pelo menos até fevereiro de 2025. Nesse período, a empresa declarou à Loterj que seu quadro de colaboradores era insuficiente para garantir a operacionalidade e administração da estrutura com o nível de qualidade desejado.

Apesar do alto investimento inicial, a empresa informou à Loterj que não possuía perfis em outras redes sociais nem realizava qualquer tipo de comunicação com o público, seja por tráfego pago ou por afiliados. A empresa alegou que, em dois anos e meio, os depósitos de apostadores somaram R$ 732.584,30, com um prejuízo de R$ 10.381,74 após tarifas, descrevendo o movimento como residual de um site sem divulgação.

Em resposta ao novo inquérito da PF, Willer Tomaz afirmou que a Rede Loto nunca lançou operação de aposta, informação que contrasta com os relatórios da RioPag, com os perfis em redes sociais e com comunicados da empresa à Loterj. A assessoria de imprensa de Willer enviou uma nota em nome da Rede Loto, reafirmando que manteve apenas um único site no ar, inicialmente Loto Carioca e depois BestBet, sem campanha publicitária.

Investigações e Conexões com o Senador Flávio Bolsonaro

Willer Tomaz também é investigado por movimentar R$ 10 bilhões em apostas esportivas em uma casa de apostas concorrente, a Blaze, e por pedir a devolução de R$ 134 milhões perdidos, alegando vício em jogo, pedido que foi recentemente negado.

Flávio Bolsonaro também é investigado porque a Cathedral Holdings, empresa dona da Rede Loto, pagou viagens para ele e sua família. A offshore é considerada uma empresa “irmã” da Alcazar Holdings, também registrada por Willer na Ilha da Madeira.

A Alcazar é a empresa cuja conta corrente no Santander tinha Flávio Bolsonaro como “usuário master”, conforme revelado por reportagem. A defesa de Willer Tomaz alega que as empresas e participações do advogado são lícitas e que a relação com Flávio Bolsonaro é de antiga amizade, não podendo ser criminalizada.

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