O número de brasileiros aptos a votar fora do Brasil registrou um crescimento impressionante, alcançando aproximadamente 918.900 eleitores para as eleições de 2026. Este aumento representa um avanço de 31,8% em relação a 2022, quando o eleitorado era de 697.078 pessoas.
Cerca de 221,8 mil novos votantes foram adicionados ao cadastro da Justiça Eleitoral no exterior. Esse crescimento é reflexo tanto do aumento da imigração brasileira para outros países quanto de novos alistamentos e transferências de domicílio eleitoral.
Apesar da expansão, especialistas apontam que o número de eleitores não reflete necessariamente o mesmo percentual de crescimento da população brasileira residente no exterior, mas sim uma maior participação e regularização de brasileiros com direito ao voto.
Lisboa lidera o crescimento em cidades do exterior
A capital de Portugal, Lisboa, desponta como a cidade com o maior aumento absoluto e percentual entre os principais colégios eleitorais brasileiros no exterior. O número de eleitores na cidade saltou de 45,3 mil em 2022 para 78.833 em 2026, um expressivo crescimento de 74,1%.
Esse avanço em Lisboa acompanha a forte onda de imigração brasileira para Portugal. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que os brasileiros já formam a maior comunidade de imigrantes regularizados no país, com pelo menos 574.195 vivendo legalmente em território português até o final de 2025.
Outra cidade portuguesa, Porto, também registrou forte expansão, atingindo 47.676 eleitores, um aumento de 58,4% em comparação com as eleições presidenciais anteriores. A tendência em Portugal é clara, com o país se tornando um centro cada vez mais relevante para o eleitorado brasileiro no exterior.
Estados Unidos ainda lideram o ranking de eleitores
Apesar do crescimento acelerado em Portugal, os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior número de brasileiros cadastrados para votar. O total de eleitores americanos saltou de 182.986 em 2022 para 265.437 em 2026.
Dentro dos Estados Unidos, Boston consolidou-se como a segunda maior comunidade eleitoral brasileira no exterior, com 53.406 eleitores, um crescimento de 43,7%. Miami, embora ainda relevante, apresentou uma leve redução de 0,21%, totalizando 40.104 votantes.
Nova York também mostrou expansão significativa, alcançando 39.026 eleitores, o que representa uma alta de 39,7%. O país demonstra uma forte e contínua presença de brasileiros aptos a exercerem seu direito ao voto.
As 10 cidades com maior eleitorado brasileiro no exterior em 2026
O ranking das cidades com o maior número de brasileiros aptos a votar em 2026 é liderado por Lisboa (Portugal) com 78.833 eleitores, seguida por Boston (Estados Unidos) com 53.406, e Porto (Portugal) com 47.676.
Completam a lista Nagóia (Japão) com 44.570 eleitores, Miami (Estados Unidos) com 40.104, Nova York (Estados Unidos) com 39.026, Londres (Inglaterra) com 37.564, Tóquio (Japão) com 30.062, Paris (França) com 27.062 e Orlando (Estados Unidos) com 26.411 eleitores.
Das 186 cidades no exterior com eleitores brasileiros cadastrados, a grande maioria, 144, registrou crescimento no eleitorado. Apenas 34 cidades tiveram redução no número de votantes.
TSE amplia estrutura para votação no exterior
Diante do expressivo aumento do eleitorado, a Justiça Eleitoral anunciou a ampliação da estrutura para a votação no exterior. Foi aprovada uma verba de R$ 13,2 milhões para a locação de novos imóveis em diversos países, atendendo a uma solicitação do Ministério das Relações Exteriores.
Essa expansão visa acomodar o crescente número de eleitores, que agora contarão com 66 novos endereços para votação, além das tradicionais embaixadas e consulados. Os Estados Unidos receberão 14 novos locais de votação, sendo três apenas em Boston.
O Japão também terá sua estrutura ampliada, com oito novos imóveis alugados para seções eleitorais, cinco deles concentrados em Nagóia, cidade que se destaca pela alta quantidade de eleitores brasileiros. Essa medida visa garantir o acesso e a organização do processo eleitoral para todos os brasileiros no exterior.
Votação no exterior é exclusiva para presidente da República
As regras para o voto no exterior são similares às do Brasil, sendo obrigatório para alfabetizados entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos.
A principal diferença é que os brasileiros residentes fora do país votam exclusivamente para a escolha do Presidente da República. As eleições para governador, senador, deputado federal, estadual ou distrital não contemplam o eleitorado no exterior.
Mulheres ainda são maioria, mas com participação proporcional menor
As mulheres continuam sendo a maioria do eleitorado brasileiro no exterior, representando 57,4% do total. O número de eleitoras subiu de 408.055 em 2022 para 527.734 em 2026.
No entanto, o avanço percentual entre os homens foi maior, com um crescimento de 35,3% no eleitorado masculino, que passou de 289.023 para 391.142. Com isso, a participação proporcional dos homens aumentou de 41,5% para 42,6%.
Faixa etária de 40 a 44 anos lidera o eleitorado no exterior
O grupo etário de 40 a 44 anos é o mais representativo entre os brasileiros que votarão fora do país, totalizando 124.782 eleitores. Esse grupo registrou um crescimento de 24,2% em relação às eleições anteriores.
Na sequência, aparecem as faixas de 45 a 49 anos com 116.267 eleitores, 35 a 39 anos com 115.044, 30 a 34 anos com 97.966 e 50 a 54 anos com 88.917 eleitores.
Entre os jovens, a faixa de 21 a 24 anos apresentou o maior avanço, crescendo 66,6% e passando de 39.131 para 65.195 eleitores. Isso demonstra um engajamento crescente dos mais jovens no processo eleitoral internacional.
Maioria dos cadastros não informa raça ou cor
Um dado relevante é que 60,6% dos eleitores cadastrados no exterior, o equivalente a 556.966 pessoas, não informaram raça ou cor em seu cadastro eleitoral. Entre os que preencheram, a categoria branca é a mais numerosa, com 233.202 registros.
Não é possível comparar a evolução desses grupos com 2022, pois naquele pleito todos os registros apareciam sem essa informação. A Justiça Eleitoral continua trabalhando para incentivar o preenchimento completo dos dados cadastrais.
Eleitores com deficiência quase dobram e nome social registra aumento
O número de eleitores que declararam possuir alguma deficiência quase dobrou, passando de 3.561 em 2022 para 6.614 em 2026, um aumento de 85,7%. Este grupo representa 0,72% do eleitorado brasileiro no exterior.
Houve também um aumento significativo no número de eleitores que utilizam nome social, saltando de nove registros em 2022 para 369 em 2026. A Justiça Eleitoral atribui esses crescimentos a melhorias no cadastro e à ampliação do eleitorado apto a votar fora do Brasil.














