Dos bastidores dos grandes shows ao Pagode do Batuta: como Rafael Pereira construiu seu nome no entretenimento carioca

A trajetória de Rafael Pereira no mercado de eventos começou ainda na época do Colégio Pedro II, onde foi presidente do grêmio estudantil e encontrou nas festas escolares o primeiro contato com a organização de produções. Naquele período, promovia eventos para arrecadar recursos destinados à compra de equipamentos para os alunos, como mesas de pingue-pongue, sinuca e bolas. A experiência, inicialmente voltada à comunidade escolar, se tornaria o ponto de partida para uma carreira que já soma 21 anos de atuação no entretenimento.

Antes de se dedicar integralmente à produção de eventos, Rafael construiu uma trajetória profissional no setor corporativo, com passagens por empresas como Bradesco, Banco Votorantim, Unibanco, Banco Real e Nextel. Paralelamente ao trabalho, realizava freelances em eventos como Noite Carioca e Fashion Rio, experiências que ampliaram seu contato com o segmento e despertaram o interesse em desenvolver projetos próprios. Antes da criação do Pagode do Batuta, o produtor realizou 12 chopadas, acumulando conhecimento sobre organização, público e estrutura de eventos.

“Minha relação com os eventos começou no colégio, quando eu organizava festas para arrecadar fundos e ajudar os alunos. Depois, mesmo trabalhando em outras áreas, continuei fazendo eventos nos finais de semana. Realizei chopadas antes de começar o Pagode do Batuta, e cada uma delas foi um aprendizado que contribuiu para a minha trajetória profissional”, relembra Rafael.

Foi a partir dessa experiência que nasceu o projeto que se tornaria sua principal marca no segmento. Inicialmente chamado de Chopada do Batuta, o evento passou a ser conhecido como Pagode do Batuta, nome que aproveitava a popularidade do apelido de Rafael entre o público da região. Sua atuação anterior na venda de ingressos para grandes shows, excursões e eventos como Terefantas e Petrofantas também contribuiu para a construção de uma relação de confiança com os frequentadores.

“Eu já era conhecido por trabalhar com eventos, vender ingressos e organizar excursões. Quando criei meu próprio projeto, decidi colocar o apelido no nome porque as pessoas já me conheciam e associavam o Batuta aos eventos. Isso ajudou a criar uma identificação com o público e trouxe credibilidade para o projeto”, explica.

Ao longo de sua trajetória, o Pagode do Batuta passou por grandes espaços do samba carioca, incluindo as quadras das escolas de samba do Salgueiro, da Mangueira e da Vila Isabel, agremiações que integram a Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro. A atuação também se estendeu a outros locais importantes, como a quadra da São Clemente, eventos na Rocinha e no Vidigal, além do Estádio do Engenhão, onde Rafael esteve entre os pioneiros na realização de eventos. Essas experiências contribuíram para sua formação como produtor e para a consolidação de seu nome no cenário do samba e do pagode.

“Realizar eventos em quadras como as do Salgueiro, da Mangueira e da Vila Isabel foi muito marcante na minha carreira. São espaços que têm uma história muito forte com o samba e com a cultura do Rio de Janeiro. Essas experiências me deram a oportunidade de trabalhar com diferentes públicos e adquirir conhecimento na produção de grandes eventos”, afirma.

Além da atuação em diferentes espaços, Rafael Pereira também assinou shows com artistas e grupos reconhecidos no cenário musical, entre eles Anitta, Ferrugem, Jorge Aragão, Revelação, além de outros nomes de destaque. O contato com artistas de diferentes perfis e a participação em produções de maior porte ampliaram sua experiência no segmento e fortaleceram sua atuação no mercado de entretenimento.

A construção dessa trajetória aconteceu paralelamente às transformações do setor de eventos. Após a pandemia, o aumento dos cachês dos artistas e dos custos de produção levou Rafael a adaptar seus projetos e a valorizar atrações locais e artistas em início de carreira. A estratégia passou a incluir maior investimento em divulgação digital, criação de conteúdo para redes sociais e uma proposta de evento mais próxima do público.

“Depois da pandemia, os custos de produção e os cachês dos artistas aumentaram muito. Por isso, comecei a trabalhar mais com artistas do bairro e com aqueles que estão iniciando. A ideia é criar um evento em que as pessoas se sintam confortáveis, possam comemorar, encontrar os amigos e ter uma boa experiência. Acredito que a receptividade e o contato com o público fazem toda a diferença”, conta.

Nos últimos anos, o Pagode do Batuta passou por diferentes formatos e locais, com edições realizadas no Barril 8000 e no Vambora Bar, no Mackenzie. A retomada do projeto semanal no Cachambi representa uma nova etapa da carreira do produtor, que mantém uma relação histórica com o bairro. Rafael já foi proprietário de uma casa de shows na Rua Ferreira de Andrade e destaca o conhecimento que construiu junto à comunidade local.

“A escolha do Cachambi tem uma ligação direta com a minha história. Eu já tive uma casa de shows no bairro, conheço muitas pessoas e acompanho a transformação da região. Hoje, existe uma movimentação gastronômica importante, e acredito que isso contribui para o desenvolvimento dos eventos. Voltar com o Pagode do Batuta de forma semanal é uma maneira de fortalecer essa conexão com o público”, ressalta.

Com mais de duas décadas de experiência, Rafael Pereira mantém o foco na continuidade de seu trabalho e na reconstrução de uma agenda de eventos que valorize tanto os artistas quanto o público. Para o produtor, o Pagode do Batuta representa uma história que permanece em movimento, reunindo experiências acumuladas, relações profissionais e o desejo de ampliar novamente o alcance do projeto.

 

“Meu maior objetivo hoje é resgatar um público que está carente de bons eventos, de boa receptividade e de ambientes onde as pessoas possam se sentir à vontade. Quero continuar trazendo atrações, dando visibilidade aos artistas e fazendo o Pagode do Batuta crescer novamente. É um projeto que tem 21 anos e nunca acabou. Estamos vivendo um recomeço, buscando crescer aos poucos e dar passos maiores no futuro”, finaliza.

 

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