Dono de Porsche Pego em Flagrante: Fernando Sastre Condenado a 17 Anos por Homicídio com Dolo Eventual

Fernando Sastre, dono de Porsche, pega 17 anos por homicídio com dolo eventual em SP. O caso que revoltou o país.

O empresário Fernando Sastre foi condenado a 17 anos, um mês e 10 dias de prisão em regime fechado por homicídio com dolo eventual. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) ocorreu após o julgamento que durou dois dias.

Sastre é acusado de causar a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, na noite de 31 de março de 2024, após uma colisão em alta velocidade na Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste da capital paulista. O empresário também foi sentenciado por lesão corporal gravíssima contra Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo que estava no veículo de luxo.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) sustentou a condenação por homicídio qualificado por dolo eventual, argumentando que Sastre assumiu o risco de matar com suas atitudes. A acusação ainda pediu o aumento da pena devido ao histórico de infrações de trânsito do empresário, incluindo suspensão da carteira por racha. Conforme informações divulgadas pelo TJSP, a defesa de Sastre concordou com o crime consumado de homicídio, mas discordou da intenção de matar, alegando imprudência.

Sastre confessa ter bebido antes do acidente fatal

Em seu depoimento, Fernando Sastre admitiu pela primeira vez ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir o Porsche que resultou na morte de Ornaldo da Silva Viana. Ele expressou arrependimento, afirmando que sofre todos os dias e tem muita vergonha. O empresário declarou que nunca saiu de casa com a intenção de causar um acidente.

Questionado pelo promotor de Justiça, Sastre negou ter bebido na casa de jogos onde esteve com amigos após o jantar. Ele alegou ter consciência de que não poderia dirigir em alta velocidade após ingerir álcool. A confissão ocorreu horas antes da decisão do júri, em um momento de aparente fragilidade do empresário.

Amigo de Sastre relata intimidação e abandono

Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo de Sastre e passageiro do Porsche no momento do acidente, testemunhou no julgamento. Ele relatou ter sido intimidado e abandonado por amigos após dizer a verdade sobre a noite da tragédia. Marcus sofreu fraturas em quatro costelas e a perda do baço em decorrência da colisão.

Segundo Marcus, amigos de Sastre o pressionaram para mentir ou amenizar a situação do empresário, mas ele se recusou, sendo chamado de traidor. Ele contou que Sastre e sua então namorada, Giovanna Pinheiro, discutiram porque ele queria dirigir embriagado. Sastre negou ter controle sobre o bullying sofrido pelo amigo, mas afirmou reprovar tais atitudes.

A versão de Sastre sobre a noite do acidente

Fernando Sastre apresentou sua versão dos fatos, detalhando que a noite começou com um jantar com amigos, onde consumiu um drink. Posteriormente, o grupo se dirigiu a uma casa de poker. Sastre afirmou ter bebido apenas água e água tônica no local de jogos.

Ele relatou uma discussão com sua namorada, Giovanna, sobre a vontade de ir embora. Após a decisão de se retirarem do local, ele e Marcus embarcaram no Porsche, enquanto Giovanna e outra amiga foram em outro carro. Sastre admitiu ter ultrapassado um veículo em alta velocidade e parado em um semáforo vermelho.

O empresário alegou ter lapsos de memória sobre o momento exato do acidente, descrevendo uma memória fragmentada e um “apagão”. Ao recobrar a consciência, encontrava-se fora do veículo e em estado de choque ao ver o amigo Marcus ferido. Ele justificou sua saída do local alegando que uma policial militar o teria autorizado a ir para casa com a mãe, que o levaria a um hospital, o que não ocorreu.

Filho da vítima clama por “recado para a sociedade”

Lucas Morais da Silva, filho mais velho de Ornaldo da Silva Viana, expressou sua dor e impossibilidade de continuar trabalhando com aplicativos após a morte do pai. Ele espera que a punição de Sastre sirva como um “recado para a sociedade” sobre os perigos de beber e dirigir.

Lucas declarou que nenhuma pena trará seu pai de volta, mas que é inaceitável que alguém cause tamanha tragédia e siga como se nada tivesse acontecido. Ele acredita que o caso de seu pai pode se tornar um exemplo de punição, enviando uma mensagem importante sobre responsabilidade no trânsito.

Defesa e acusação divergem sobre a intenção

A defesa de Fernando Sastre buscou desqualificar o crime para homicídio culposo, argumentando imprudência e não dolo eventual. O advogado Jonas Marzagão afirmou que os depoimentos mostrariam que o grupo não estava tão embriagado quanto alegado.

Por outro lado, o advogado Flávio Torres, que representa a família da vítima, defende a condenação por homicídio doloso. Ele ressaltou que Sastre agiu com dolo eventual, assumindo o risco ao dirigir a 140 km/h em uma via de 50 km/h e fugindo do local após a colisão.

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