Doces na infância: excesso de açúcar pode aumentar risco de doenças em crianças

Balas, chocolates, biscoitos recheados, bolos e sobremesas costumam estar associados ao universo alimentar das crianças, mas o consumo frequente de alimentos ricos em açúcar também provoca impactos para a saúde e influenciar a formação dos hábitos alimentares. Entre os principais riscos estão sobrepeso e obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e cáries.

De acordo com o Ministério da Saúde, a recomendação é que crianças menores de dois anos não consumam açúcar nem alimentos ou preparações que contenham o ingrediente, como bolos, biscoitos, doces e geleias.

A orientação também é evitar ultraprocessados, como refrigerantes, achocolatados, biscoitos recheados e bebidas adoçadas. Segundo o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, a exposição precoce ao açúcar pode favorecer a preferência pelos sabores adocicados, dificultar a aceitação de alimentos com sabores menos intensos e contribuir para problemas de saúde.

O cuidado também envolve a saúde bucal. O consumo frequente de açúcar favorece a ação de bactérias que produzem ácidos capazes de danificar os dentes, aumentando o risco de cáries, especialmente quando doces e bebidas açucaradas são consumidos várias vezes ao longo do dia.

Para a nutricionista da Hapvida, Stephany Rangel, o objetivo não deve ser criar uma relação de medo ou culpa em torno dos doces, mas estabelecer limites e melhorar o ambiente alimentar da criança. “Uma abordagem interessante é estabelecer limites claros sem criar uma relação de medo ou culpa com a comida. Também é importante evitar utilizar doces constantemente como prêmio por bom comportamento ou como moeda de troca”, orienta.

O ambiente alimentar também influencia

Mais do que simplesmente proibir determinado alimento, os hábitos da família e a disponibilidade de produtos açucarados em casa e na escola podem influenciar as escolhas da criança. Para Stephany, uma estratégia mais efetiva é reduzir a exposição ao sabor excessivamente doce e ampliar a variedade de alimentos oferecidos.

“É importante não tentar simplesmente tirar a vontade da criança de comer o doce, e sim reduzir a exposição excessiva ao sabor doce, ampliar a variedade alimentar e diminuir o acesso tanto em casa quanto na escola a esses alimentos.”

Entre os produtos que merecem atenção estão não apenas balas e chocolates, mas também alimentos que podem parecer opções cotidianas e que apresentam açúcar em sua composição.

Alguns dos produtos que podem contribuir para o excesso de açúcar na infância são:

* Refrigerantes, sucos e outras bebidas adoçadas;
* Achocolatados;
* Bebidas lácteas adoçadas;
* Biscoitos recheados;
* Chocolates e balas;
* Cereais matinais açucarados;
* Sobremesas industrializadas;
* Iogurtes adoçados.

O que oferecer no lugar dos doces?

A redução do açúcar não significa eliminar opções saborosas da alimentação infantil. Frutas, preparações caseiras e alimentos com menor quantidade de açúcar podem ocupar esse espaço e ajudar a ampliar o repertório alimentar da criança.

Entre as alternativas estão frutas, iogurte natural, receitas com aveia, pão e bolo caseiro, com pouco ou nenhum açúcar adicionado e vitaminas de frutas sem açúcar. A nutricionista destaca que a mudança deve envolver toda a família e não apenas a criança.

“O principal é não tentar apenas tirar o doce da criança, e sim mudar o ambiente alimentar da família. E não é necessário buscar uma alimentação perfeita: a criança pode comer um doce eventualmente e continuar tendo uma alimentação adequada. O objetivo é que o doce deixe de ocupar um espaço desproporcional na rotina.”

Cuidados importantes na rotina

* Até os dois anos: evitar açúcar, mel, doces e preparações com açúcar, conforme orientação do Ministério da Saúde.
* Menos frequência: reduzir o consumo habitual de doces e bebidas açucaradas.
* Mais variedade: oferecer frutas, legumes, verduras e outros alimentos in natura ou minimamente processados.
* Evitar recompensas: não transformar doces em prêmio por bom comportamento ou desempenho.
* Atenção aos rótulos: observar a lista de ingredientes e a presença de açúcares adicionados.
* Cuidar dos dentes: manter a higiene bucal desde o surgimento dos primeiros dentes.
* Dar o exemplo: os hábitos alimentares dos adultos também influenciam as escolhas das crianças.
* Equilíbrio: um doce ocasional não precisa ser tratado como proibido, desde que não ocupe espaço excessivo na alimentação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de açúcares livres seja inferior a 10% da ingestão total de energia e aponta que uma redução para menos de 5% pode proporcionar benefícios adicionais à saúde. A orientação reforça a importância de limitar o consumo habitual de alimentos e bebidas açucarados.

Na prática, o desafio para os pais não é simplesmente retirar os doces da rotina, mas construir um ambiente alimentar que favoreça escolhas variadas e nutritivas. A infância é uma fase importante para a formação do paladar e dos hábitos que podem acompanhar a pessoa ao longo da vida.

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