O Disque Denúncia divulgou cartazes nesta sexta-feira para ajudar a localizar Felipe Alves da Silva, o Felipinho, e Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o MJ. Ambos são foragidos e investigados por extorquir moradores em Nova Iguaçu.
Esquema da milícia cobrava até R$ 100 mil de moradores em condomínio
Segundo a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais, a Draco-IE, a dupla faz parte da quadrilha de Gilson Ingrácio de Souza Júnior, conhecido como Juninho Varão. O grupo paramilitar controlava os pagamentos de quem mora no Condomínio Jardim Guandu, conjunto residencial com cerca de 1.200 apartamentos divididos em 12 blocos.
As investigações apontam que os criminosos exigiam até R$ 70 mensais por residência a título de taxa clandestina de segurança. Com a cobrança forçada sobre centenas de famílias trabalhadoras, o esquema criminoso arrecadava entre R$ 80 mil e R$ 100 mil a cada mês.
Quem se recusava a desembolsar o valor sofria ameaças graves de agressão física e risco de despejo sumário dos próprios imóveis. A Polícia Civil apura até mesmo o envolvimento do bando no assassinato de um morador do condomínio.
Como funcionava o controle dentro dos prédios
O grupo armado não atuava apenas recolhendo envelopes nos portões. De acordo com o inquérito policial, os milicianos expulsavam os administradores eleitos de forma regular e colocavam pessoas de confiança da quadrilha nos cargos de síndicos.
Dessa maneira, a organização mantinha controle rígido sobre os moradores e sobre as áreas comuns. Durante ação de busca realizada na última quarta-feira, policiais civis e homens da Corregedoria da Polícia Militar apreenderam um porrete com pregos fixados na ponta, além de chaves, envelopes e um distintivo da PM, cuja procedência oficial ainda é analisada.
Ao todo, nove pessoas foram formalmente indiciadas nas investigações da Draco-IE. Felipe Alves da Silva, de 28 anos, é apontado como homem de confiança de Juninho Varão e líder operacional da cobrança. Já Marcos Francisco, de 27 anos, é investigado por executar as intimidações e exigir os pagamentos.
O que já se sabe sobre as ordens de prisão
Os mandados de prisão preventiva contra Felipinho e MJ foram expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ambos respondem por envolvimento em organização criminosa armada.
O chefe apontado da quadrilha, Juninho Varão, tem 35 anos e acumula seis ordens de captura abertas. Seus registros na Justiça incluem homicídio qualificado, extorsão e lavagem de dinheiro. A área dominada pelo grupo se estende por cinco bairros de Nova Iguaçu e atinge partes da cidade vizinha de Queimados.
Na mesma operação da quarta-feira, um policial militar também se tornou alvo de mandados judiciais de busca por suposta ligação com as atividades ilegais praticadas dentro do conjunto habitacional.
Como denunciar o paradeiro dos suspeitos
Quem tiver qualquer informação sobre o esconderijo de Felipinho, de MJ ou de outros membros do bando pode acionar as autoridades de forma totalmente segura. O Disque Denúncia do Rio funciona sem intervalo e assegura anonimato pleno aos informantes.
- Telefone central: (21) 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia;
- WhatsApp anonimizado: (21) 2253-1177, canal que usa tecnologia para apagar dados de identificação do aparelho;
- Aplicativo oficial: Disque Denúncia RJ, disponível para celulares Android e iOS.
Não é preciso dizer nome, endereço ou qualquer dado pessoal durante o contato. Todas as mensagens recebidas são checadas e repassadas diretamente para a equipe da Draco-IE e para os batalhões da região.
O que fazer se você foi vítima de extorsão
Moradores de condomínios pressionados por cobranças irregulares não devem tentar negociar com suspeitos armados. O caminho recomendado pela polícia é formalizar a situação para que as equipes consigam agir no endereço.
O boletim pode ser registrado presencialmente na sede da própria Draco-IE, localizada na Cidade da Polícia, na Rua Bernardo de Vasconcelos, 735, no bairro do Jacarezinho, na Zona Norte da capital. Também é possível procurar a 56ª Delegacia de Polícia, central responsável pela área de Nova Iguaçu.
Para crimes que não envolvam agressão física imediata, a Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro aceita comunicados iniciais pela internet. Leve comprovantes de cobrança, anotações de datas ou mensagens recebidas que ajudem a comprovar a coação exercida pelo grupo criminoso.















