O Dia da Consciência Negra no Rio começou em clima de festa nesta quinta-feira (20), com cortejos, rituais de ancestralidade, rodas de samba e eventos gratuitos espalhados pela cidade. Desde cedo, moradores e visitantes acompanharam atividades que celebram a luta, a memória e a resistência da população negra, reforçando símbolos históricos do movimento.
A programação abriu às 9h com a tradicional lavagem do Monumento a Zumbi dos Palmares, na Presidente Vargas, no Centro. O ritual, que completa trinta anos em 2025, acontece pela primeira vez desde que foi reconhecido como patrimônio cultural, social e turístico da cidade. A cerimônia teve música, capoeira, baianas, lideranças do movimento negro e grande participação popular.
Logo depois, às 10h, a Pequena África recebeu o Cortejo da Tia Ciata, que partiu do Centro de Artes Calouste Gulbenkian. O percurso retomou a rota histórica da matriarca do samba e trouxe tambor, samba de terreiro, dança e performances abertas à participação da população, que lotou as ruas do Centro em celebração.
Na Gamboa, o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira promoveu o Samba da Dida com feijoada a partir do meio-dia. O espaço recebeu artistas como Marcelo Negrete e a Escola Olodum, oferecendo ao público uma tarde de música, gastronomia e manifestações culturais gratuitas.
A festa seguiria intensa ao longo do dia em vários bairros da cidade. Em Madureira, a 4ª edição do Festival Madureira ocupou o Viaduto Negrão de Lima com jongo, rodas culturais, feira crespa e shows, tudo de forma gratuita, em programação que segue nos próximos dias junto à Flup.
Na Lapa, o Circo Voador sediou a primeira edição do “Negro é Lindo Festival”, que reúne dez horas de atividades com feira criativa, rodas de conversa, acolhimento psicológico, ballroom, exposição de arte e uma sequência de shows que vão do samba ao jazz e ao funk. A entrada é gratuita mediante retirada prévia pelo Sympla.
Próximo dali, o Casarão do Firmino recebeu roda de samba com o Grupo Arruda, celebrando duas décadas de carreira. O evento começou às 16h, com entrada colaborativa, e contou com apresentação do Samba da Tia Zélia, discotecagem da DJ Nicolle Neumann e chopp liberado na primeira hora e meia.
A programação também se estendeu a Niterói, onde o Caminho Niemeyer sedou o Festival Viva Zumbi. Com atividades durante todo o dia, o evento destacou shows de Jorge Aragão às 15h e do rapper BK às 20h, além de rodas de capoeira e feira gastronômica. A entrada é gratuita, com contribuição voluntária de 1kg de alimento não perecível.
Encerrando o feriado, a cidade permanece tomada por música, cultura, celebração e reafirmação da identidade negra, em um dia que reforça a importância histórica e simbólica da data para o Rio e para o Brasil.














