Um ferro-velho clandestino foi interditado na Avenida Brasil, na altura de Realengo, durante uma fiscalização do Detran-RJ. No local, agentes flagraram peças de um veículo furtado e crimes ambientais causados por descarte incorreto de óleo.
Fiscalização fecha desmonte clandestino com peças furtadas na Zona Oeste
A ação fez parte da chamada Operação Desmonte, força-tarefa coordenada pelo Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro. Durante a vistoria no estabelecimento, os fiscais localizaram o capô de um veículo furtado no ano de 2024, no bairro de Campinho, na Zona Norte.
O dono do comércio acabou conduzido pela equipe para a delegacia da Polícia Civil para prestar esclarecimentos formais. Ele responde sob suspeita de receptação qualificada, já que o material furtado estava exposto e pronto para ser negociado no comércio irregular.
Além da peça identificada como fruto de crime, o comércio não tinha qualquer tipo de credenciamento oficial no Detran-RJ para atuar com a desmontagem e comercialização de autopeças usadas. A falta desse registro impede o rastreamento da procedência dos componentes, o que favorece a atuação do mercado clandestino alimentado por roubos de veículos na cidade.
Peças sem etiqueta e risco de contaminação ambiental
Na inspeção técnica, os agentes notaram que nenhuma das peças à venda possuía o selo de identificação e rastreabilidade, que é uma exigência da Lei dos Desmanches. Ferramentas pesadas, como maçaricos e serras comumente usadas no corte de lataria e chassis, estavam espalhadas pelo galpão.
A operação teve o apoio direto de técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Os fiscais ambientais constataram graves irregularidades no armazenamento de sucatas e materiais tóxicos.
Partes de motores e eixos estavam largados diretamente sobre o solo de terra batida, sem piso impermeabilizado. Havia poças com vazamento contínuo de óleo lubrificante e fluídos de freio, o que coloca o lençol freático daquela região da Zona Oeste em risco direto de contaminação.
Por conta do perigo e da falta de licenciamento, todo o material apreendido pelos fiscais foi recolhido em caminhões e levado para pátios de reciclagem cadastrados e credenciados pelo estado.
Quem responde por isso
A coordenação do Detran-RJ informou que a repressão ao comércio ilegal de peças automotivas vai continuar acontecendo em diferentes pontos da capital e da Baixada Fluminense. O presidente do departamento, Carlos Eduardo Sarmento, confirmou que as ações miram garantir a rastreabilidade das peças e proteger o consumidor que busca economizar na manutenção do veículo.
No aspecto criminal, o caso foi registrado na delegacia distrital da região, onde o responsável pelo ferro-velho prestou depoimento acompanhado de sua defesa técnica. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar se o estabelecimento mantinha ligação direta com quadrilhas especializadas em furtos e roubos de carros que operam entre as Zonas Norte e Oeste do Rio.
Já o Inea aplicou autos de constatação e infração ambiental contra o responsável pelo lote na Avenida Brasil. O dono do imóvel pode receber multas pesadas por poluição do solo e descarte inadequado de resíduos perigosos.
Como consultar e comprar peças com segurança
Para quem precisa de peças de reposição e quer fugir de golpes ou de problemas com a polícia, a recomendação básica é nunca comprar produtos sem nota fiscal. O comércio legalizado de peças usadas no Rio de Janeiro precisa seguir regras rígidas de funcionamento:
- Consulte o site do Detran-RJ: Na página oficial do órgão (detran.rj.gov.br), o cidadão consegue acessar a lista completa de empresas credenciadas pela Operação Desmonte.
- Exija o lacre e a etiqueta com QR Code: Toda peça usada vendida legalmente precisa trazer uma etiqueta plástica com código rastreável, mostrando o carro de origem e a baixa oficial do veículo no sistema do Detran.
- Guarde sempre a nota fiscal: O documento fiscal comprova a boa-fé de quem comprou. Em caso de blitz policial, quem circula com motor ou peça sem procedência pode ser conduzido para a delegacia.
- Evite preços muito abaixo da tabela: Componentes de mecânica vendidos por valores irrisórios em barracões sem placa e sem identificação costumam ter origem em desmanches ilegais.
Como denunciar
O morador que notar a movimentação suspeita de veículos desmontados em galpões, terrenos baldios ou oficinas de bairro pode denunciar de forma totalmente segura e anônima.
O canal principal no estado é o Disque Denúncia, que atende 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, com ligação tarifada ou pelo aplicativo para celulares. Não é necessário se identificar nem passar dados pessoais para prestar a informação.
Também é possível acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 caso o morador presencie caminhões descarregando carros inteiros durante a noite ou o uso de serras e maçaricos em locais sem fachada comercial. A Central de Atendimento do Detran-RJ recebe informes administrativos pelo telefone (21) 3460-4040.














