Desde o início do ano, Light trocou 1.150 transformadores devido a gatos de energia no Rio

Gatos de Energia

O mal-estar pode ir da suadeira no ponto de ônibus a algo mais sério, que exija atendimento médico. Também pesa no bolso, na forma de contas mais caras, e leva à multiplicação dos incêndios na vegetação. Tudo culpa da intensidade inédita do calor no Estado do Rio, causada pelo que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) define como uma anomalia climática: uma massa de ar quente e seco — incomum no auge do verão — que inibe a formação de nuvens de chuva e favorece o aquecimento da superfície terrestre, devido à maior incidência de radiação solar. Com o forte calor, há impactos na energia elétrica. Desde o início do ano, a Light trocou 1.150 transformadores devido a gatos de energia no Rio somente em 2025, hábitos como o de manter o ventilador ligado 24h por dia aumentam o gasto.

Com as trocas de transformadores deste ano, o prejuízo para a companhia chega a cerca de R$ 40 milhões.

“Com esse cenário de calor extremo em decorrência de mudanças climáticas, a nossa rede fica ainda mais sobrecarregada e, em consequência disso, os nossos transformadores, configurados para receber os nossos clientes, superaquecem e queimam, causando não apenas falta de luz como incêndios e acidentes”, explica Bruno Almeida, gerente de manutenção da Light.

Segundo a concessionária, também tem impactos na rede de distribuição pelo excesso de carga irregular, com necessidade de substituição de cabos quando necessário.

“Neste contexto, as equipes da concessionária vão aos locais, restabelecem a energia de clientes que apresentam queixas e, pouco tempo depois, novas quedas de energia ocorrem devido à sobrecarga na rede, que provoca um estresse nos nossos equipamentos”, diz Almeida.

Contas mais caras

O calorão também atinge os boletos. O hábito de manter o ventilador ligado 24 horas por dia e, especialmente, o uso do ar-condicionado aumentam e muito o gasto de energia elétrica. Além do consumo padrão, nos primeiros 15 dias de fevereiro, a cidade do Rio teve um consumo excedente de energia de 391 megawatts.

“Isso equivale ao consumo de aproximadamente 391 mil clientes”, afirma Bruno Almeida, gerente de manutenção da Light.

Clientes da empresa já receberam avisos sobre aumento na conta de luz. O percentual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), estadual, sai de 18% e passa para 24% quando o consumo de energia supera 300kWh no mês.

“No verão a gente já espera um acréscimo de carga consumida. No restante do ano, o consumidor raciona mais o uso de equipamentos, como ar-condicionado. Mas em 2025 a gente percebeu que, com o aumento da temperatura por muitos dias, tem mudado o hábito dos clientes”, diz Bruno Almeida.

Incêndios na vegetação

Com o tempo quente e seco, a vegetação vira alvo. De anteontem para ontem, foram registrados 403 incêndios no Estado do Rio, tanto em Áreas de Preservação Ambiental (APA) quanto em regiões não protegidas. A Defesa Civil do Estado atribui a maioria dos episódios a infrações como soltura de balões e fogos de artifício, descarte de guimbas de cigarro acesas, queima de lixo e fogueiras.

“O ponto de ignição do mato é muito mais alto, então, a gente sabe que é por ação humana, direta ou indireta. Dias muito quentes, com baixa umidade, falta de chuvas e ventos fortes de verão tornam os incêndios mais frequentes”, observa o major Fabio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

De janeiro até ontem, 2.020 incêndios florestais foram registrados no Estado do Rio. No mesmo período do ano passado, foram 711 ocorrências. Na cidade, os cinco bairros com maior incidência ficam na Zona Oeste: Campo Grande (140 ocorrências), Jacarepaguá (66), Guaratiba (49), Santa Cruz (34) e Recreio (32).

“O incêndio florestal de agora é o deslizamento de amanhã. Com a perda da cobertura vegetal, o terreno fica mais suscetível a deslizamentos quando chove, por exemplo”, afirma o major Contreiras.

A média histórica da temperatura para fevereiro na cidade é de 33°C. Ontem, chegou a 38,4°C, segundo o Inmet, e a última segunda-feira foi de recorde: o Sistema Alerta Rio, da prefeitura, registrou 44°C na estação de Guaratiba. As máximas nas alturas levaram a cidade a alcançar pela primeira vez o Nível de Calor 4 (NC4) do Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo do município, cuja escala vai até o NC5. Até o fim de semana, os termômetros devem oscilar entre 36°C e 38°C.

Fonte: Extra

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