Justiça Eleitoral abre inquérito contra deputado do PL por exibição de arma em campanha no Rio de Janeiro
A desembargadora eleitoral Tathiana de Carvalho Costa determinou, nesta quarta-feira (30/9), a abertura de um inquérito pela Polícia Federal contra o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), candidato à reeleição. A investigação se deu após o parlamentar exibir uma arma durante uma confusão com militantes do PSOL na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.
A decisão, que ainda será submetida ao referendo do plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), impõe medidas severas ao deputado. Além da instauração do inquérito, Knoploch teve seu porte de armas suspenso até o dia 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições. Ele também foi obrigado a entregar à PF, em até 24 horas, todas as armas de fogo registradas em seu nome, totalizando sete itens, incluindo um fuzil e uma carabina.
A magistrada proibiu ainda que o deputado frequente o comitê e atos de campanha do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), bem como que mantenha contato com pessoas envolvidas na confusão. O caso, que ocorreu na última segunda-feira (28/9), ganhou destaque e gerou forte repercussão na mídia. Conforme apurado pelo Metrópoles, a situação se agravou após uma discussão sobre música em um comitê eleitoral.
Entenda o caso: confronto e exibição de arma
De acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral, Alexandre Knoploch dirigiu-se ao comitê de Serafini para reclamar de uma música. A tensão aumentou quando uma pessoa fez referência à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Relatos apresentados à Justiça Eleitoral indicam que Knoploch utilizou spray de pimenta contra pessoas na calçada, atingindo ao menos três indivíduos.
Na sequência, segundo o Ministério Público, o deputado expôs uma arma de fogo que portava sob a camiseta. Um vídeo amplamente divulgado registra o momento em que o parlamentar levanta a camisa, deixando a arma à mostra durante a discussão, um ato classificado pela desembargadora Tathiana como “comportamento altamente reprovável”.
Investigação da PF e possíveis crimes
O inquérito conduzido pela Polícia Federal terá, inicialmente, 30 dias para ser concluído. A investigação visa apurar suspeitas de crimes como impedir propaganda eleitoral, ameaça, lesão corporal e violência política de gênero. A PF também verificará se Knoploch possuía autorização válida para portar a arma exibida.
“Há relato detalhado de múltiplas testemunhas, apontado em registro de ocorrência policial, vídeos, reportagens, a admissão pública do uso do spray pelo próprio requerido e a exibição da arma registrada em vídeo. Os fatos, se confirmados, configuram em tese crimes de ação penal pública, e três vítimas já manifestaram à autoridade policial o desejo de representar”, explicou a magistrada em sua decisão.
Suspensão do porte de armas e riscos à democracia
Ao determinar a suspensão do porte de arma, a desembargadora Tathiana ressaltou o risco de repetição de episódios semelhantes nos dias finais de campanha. Ela citou um vídeo anterior de Knoploch, onde ele declarava: “A paciência acabou! Se não respeitar vou responder com spray de pimenta”. Após o incidente, o deputado defendeu o uso do spray, afirmando que a política “é na guerra”.
“É preciso pontuar que o porte de arma jamais pode ser utilizado para a intimidação de adversários políticos. A violência armada é o exato oposto da democracia. Em um ambiente democrático, calcado nos regimes do pluralismo político e partidário, as interações devem se pautar na livre circulação de ideias e jamais no poder de intimidação da violência”, enfatizou a juíza.
Versão do deputado
Alexandre Knoploch apresentou uma versão distinta dos fatos, alegando ter se sentido ameaçado por integrantes da campanha adversária. Ele reconheceu o uso de spray de pimenta, declarando em vídeo posterior: “Uso, sim, spray de pimenta para qualquer um que tentar me agredir”. A defesa do deputado será analisada durante o curso do inquérito policial.













