A demolição da antiga maternidade Pró-Matre, realizada na manhã desta sexta-feira (21), marcou oficialmente o início das obras do Centro Cultural Rio-África na Zona Portuária do Rio. A iniciativa reforça a consolidação da Pequena África como um território de memória, identidade e resistência, conectando passado e presente na região histórica da Avenida Venezuela.
A ação acontece um dia após o anúncio de uma série de transformações nos bairros da Praça Onze, Catumbi, Estácio e Centro, todas vinculadas à preservação do patrimônio cultural da cidade. Segundo o prefeito Eduardo Paes, o novo espaço simboliza o aprofundamento das descobertas feitas desde a implantação do Porto Maravilha, especialmente a revelação do Cais do Valongo e sua relevância para a história da diáspora africana no Brasil. “Mais de um milhão de negros escravizados chegaram por aqui, e queremos contar essa relação profunda entre a construção da cidade, a África e o povo africano”, afirmou.
Paes destacou que parte do acervo arqueológico encontrado nas obras do Porto Maravilha permanece pouco acessível à população e que o Centro Cultural Rio-África contribuirá para ampliar essa visibilidade. A expectativa é que, após conclusão das licenças pendentes, a demolição prossiga por cerca de três meses antes do início efetivo da construção.
O prefeito ressaltou ainda que a demolição da Pró-Matre não possui caráter simbólico negativo, apesar da importância afetiva do prédio para milhares de famílias. Fundada em 1918, a maternidade funcionou por 91 anos, realizando mais de 400 mil partos, e marcou a história de personalidades como Fernando Henrique Cardoso e Erasmo Carlos. Os prédios foram arrematados em leilão pela Construtora Cury em 2022.
O arquiteto urbanista Marcos Damon, responsável pelo projeto, explicou que o novo centro cultural valorizará materiais e referências históricas ligadas ao trabalho de povos africanos. “A praça será um espaço de acolhimento para rodas de samba, capoeira, palestras e aulas. Além das áreas internas, teremos espaços abertos voltados para diversas manifestações culturais”, disse.
O projeto integra o conjunto de intervenções do Porto Maravilha e complementa iniciativas que buscam resgatar a presença africana na formação do Rio. Com a criação do Centro Cultural Rio-África, a Prefeitura espera transformar a região em um polo de cultura, turismo e memória, fortalecendo o legado da Pequena África para cariocas e visitantes.














