O delegado afastado por corrupção Rick da Silva e Silva foi retirado de suas funções por decisão da Justiça de Roraima, que determinou o afastamento por 180 dias no âmbito das investigações da Operação Conluio.
A medida foi assinada pelo juiz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho, que apontou indícios de que o delegado teria transformado a delegacia de Rorainópolis em um “balcão de negócios”, com práticas como cobrança de propina e direcionamento de clientes para uma advogada específica.
De acordo com as investigações, o policial selecionava presos e dificultava o acesso à Defensoria Pública, encaminhando os casos para a profissional indicada. Em troca, ambos dividiriam os valores pagos em honorários, com relatos de pagamentos feitos em dinheiro.
Além das suspeitas de corrupção, o delegado também é investigado por possível envolvimento no assassinato de um casal de empresários: Edgar Silva Pereira, de 60 anos, e Rossana de Lima e Silva, de 49 anos.
Segundo a decisão judicial, há indícios de que ele teria interferido na cena do crime e ocultado provas. A apuração também aponta que o delegado mantinha ligação financeira com uma das vítimas, que atuava com agiotagem.
Para o magistrado, a permanência do investigado no cargo representaria risco direto às investigações, podendo comprometer a produção de provas e a apuração dos fatos.
As apurações ainda indicam que o delegado teria utilizado sua posição para intimidar colegas, com ameaças envolvendo a produção de dossiês e interceptações falsas para manter o suposto esquema em funcionamento.
Outro ponto levantado é o uso indevido de sistemas policiais, com suspeitas de manipulação de flagrantes mediante pagamento de vantagens ilegais e ocultação de investigações em andamento.
Além do afastamento, válido até outubro de 2026, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares, incluindo a apreensão de armas e distintivos, o bloqueio de acesso a sistemas policiais, a proibição de contato com testemunhas e o impedimento de entrada em delegacias.
A Operação Conluio é conduzida pela Delegacia Geral de Homicídios e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Roraima, que seguem aprofundando as investigações sobre o caso.
O andamento do processo deve trazer novos desdobramentos sobre a atuação do delegado e possíveis conexões com outros crimes ainda sob análise.














