Corte LGBTQIAPN+ do carnaval do Rio denuncia exclusão na Sapucaí

Wend, Musa Não Binária do carnaval carioca, e Johnn Sorriso, Muso do Carnaval LGBTQ+ do Rio

A Corte LGBTQIAPN+ do carnaval do Rio usou as redes sociais para denunciar episódios de exclusão e desrespeito durante o Carnaval 2026 na Marquês de Sapucaí. O Muso LGBTQ+ e a Musa Não Binária afirmam que foram deixados de lado em compromissos considerados oficiais e simbólicos da folia carioca.

Johnn Sorriso publicou um vídeo em tom de despedida ao encerrar seu ciclo como muso. “Hoje eu encerro o meu ciclo como muso do carnaval de 2026, com o coração cheio, não só de gratidão, mas de muita consciência”, declarou.

No relato, ele afirmou que a corte enfrentou não apenas comentários preconceituosos, mas também decisões institucionais que classificou como tentativas de apagamento. “Fomos excluídos, fomos colocados atrás das escolas de samba, quando historicamente a corte do carnaval abre os desfiles, fomos vetados da entrega da chave da cidade, fomos impedidos de estar presentes em eventos que também eram nossos por direito”, disse.

Em outro trecho, reforçou o peso simbólico da situação: “Isso dói, dói porque não é só sobre posição de desfile, é sobre o que tentaram fazer com a nossa bandeira”.

Johnn também destacou a participação histórica da comunidade LGBTQIAPN+ na construção do carnaval. “O carnaval, especialmente no Sambódromo, Marquês da Sapucaí, é construído por milhares de pessoas LGBTQIA+. Somos nós que criamos, costuramos, coreografamos, maquiamos, cantamos, tocamos e fazemos essa festa acontecer, e mesmo assim ainda tentam nos apagar”, afirmou.

Wend, Musa Não Binária do carnaval carioca, também relatou situações que classificou como constrangedoras. “Hoje se encerra um sonho, sonho esse que se tornou um pesadelo”, declarou.

Ela descreveu episódios ocorridos ao longo da programação oficial. “Ter a corte dividida, ser colocado para vir atrás das escolas de samba, sendo empurrado por seguranças, ser tratado como se não fosse nada por diversos líderes ou representantes de escola de samba, ser expulso da Sapucaí por não poder passar pelo meio, só por trás”, relatou, questionando em seguida: “Isso é inclusão?”.

Apesar das críticas, ambos reforçaram a importância de ocupar espaços e resistir. Johnn afirmou: “Errado é o preconceito, errado é tentar silenciar quem constrói essa história. Ser colocado atrás não nos fez menores, ser vetado não nos tornou invisíveis, porque resistência também é permanecer”.

Já Wend concluiu destacando a relação afetiva com o samba: “Isso só me fez entender como o próprio povo do samba não nos valoriza (…) Porém, é isso, viva o Brasil! Mas, enfim, aproveito para agradecer ao carnaval e ao samba por ser refúgio em todos os momentos em que eu pensei em desistir”.

O desabafo ganhou forte repercussão nas redes sociais e reacende o debate sobre inclusão e representatividade no maior espetáculo da Terra, enquanto a discussão promete continuar além dos desfiles na Sapucaí.

 

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