Quando um escândalo de corrupção ganha as manchetes, a discussão costuma ficar concentrada na política. Surgem nomes, versões, disputas e interesses. Mas existe uma consequência que muitas vezes fica em segundo plano e deveria preocupar quem trabalha para movimentar a economia da cidade: o impacto na imagem do destino turístico.
O turismo vive de confiança. Um visitante escolhe uma cidade pelo que vê nas fotos, pelo que escuta de amigos, pelo que encontra nas redes sociais e também pela sensação de que está indo para um lugar organizado, seguro e capaz de receber bem. Nenhum turista espera perfeição. Mas todo mundo espera encontrar seriedade.
Quem vem de fora não conhece a divisão de responsabilidades entre órgãos, secretarias, empresas públicas ou diferentes esferas de governo. Ele não sabe quem cuida de cada área e nem tem obrigação de saber. Quando vê notícias frequentes sobre corrupção, desorganização ou falta de transparência, ele forma uma impressão geral. Para quem está decidindo onde passar férias, realizar um evento ou trazer um grupo, isso pesa.
O Rio de Janeiro tem uma força turística que poucas cidades no mundo possuem. Temos paisagens únicas, cultura, gastronomia, história, música, grandes eventos e uma população que sabe receber. Todos os dias, hotéis, restaurantes, guias, motoristas, agências de viagens, produtores culturais e pequenos empreendedores trabalham para mostrar esse lado da cidade. É um esforço enorme para vender confiança, experiência e hospitalidade.
Por isso, quando um escândalo acontece, o prejuízo não fica preso a gabinetes ou tribunais. Ele alcança a ponta. Alcança quem depende do turista para manter um negócio aberto, contratar equipe, pagar fornecedores e fazer a economia girar. Uma imagem negativa se espalha rápido, principalmente em um mundo em que qualquer notícia atravessa fronteiras em poucos minutos.
É importante deixar claro que defender o turismo não significa proteger político, partido ou governo. Pelo contrário. Quem se preocupa de verdade com a imagem da cidade deve defender investigação séria, transparência e correção de erros. O pior caminho é fingir que nada aconteceu ou tratar qualquer cobrança como ataque político. O turismo não precisa de maquiagem. Precisa de instituições que funcionem e de respostas que devolvam confiança.
O visitante percebe quando uma cidade está bem cuidada. Percebe-se no atendimento, no transporte, na conservação dos espaços públicos, na segurança e na organização dos grandes eventos. Também percebe quando falta planejamento e quando a notícia negativa se repete mais do que deveria. A imagem de um destino não se constrói apenas com uma boa campanha de divulgação. Ela se constrói todos os dias, nas decisões tomadas e na forma como os problemas são enfrentados.
O Rio não pode permitir que seus cartões-postais sejam maiores do que a confiança que a cidade transmite. Temos potencial, talento e profissionais preparados para receber o mundo. O que precisamos é que a gestão pública esteja à altura de uma cidade que depende tanto do turismo e que tem tanto a mostrar.
No fim, a escolha é simples. Podemos continuar apagando incêndios depois que a imagem já foi prejudicada ou podemos tratar integridade, transparência e boa gestão como parte da política de turismo. Porque turismo não é apenas tirar fotos bonitas. Turismo é credibilidade, emprego, renda e futuro.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo














