Corrupção no Porto do Rio: operação apreende milhões e afasta auditores fiscais

Corrupção no Porto do Rio

A corrupção no Porto do Rio voltou ao centro das atenções após uma grande operação que resultou na apreensão de milhões em dinheiro e no afastamento de servidores públicos. A ação foi realizada nesta terça-feira (28) por agentes da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Receita Federal.

Durante a operação, foram encontrados cerca de R$ 1,5 milhão em espécie, além de 467 mil dólares, 50 mil euros e até valores em libras. Também foram apreendidos celulares, veículos, relógios de luxo, passaportes e uma arma de fogo com munições. Um homem foi preso por posse ilegal de arma e munições.

As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa estruturada, que atuava na liberação irregular de mercadorias no porto. Segundo os órgãos envolvidos, havia divergência entre os produtos importados e os declarados, além de possíveis práticas de supressão de tributos.

Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. A operação também resultou no afastamento de 17 auditores fiscais e oito analistas tributários suspeitos de participação no esquema.

Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, entre outros.

As apurações começaram em fevereiro de 2022 e indicam um impacto bilionário. De acordo com a Receita Federal, foram identificadas quase 17 mil declarações de importação com possíveis irregularidades, envolvendo cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre 2021 e 2026.

O esquema funcionava por meio da manipulação de controles aduaneiros. Mercadorias que deveriam passar por fiscalização rigorosa eram liberadas irregularmente, mesmo diante de inconsistências detectadas.

Entre as práticas identificadas estão o subfaturamento, a contrafação e a liberação de cargas com indícios de fraude, além da atuação coordenada entre servidores e operadores para garantir vantagens indevidas.

Segundo a Receita Federal, o pagamento de propina fazia parte da estrutura do esquema, com valores elevados pagos a servidores públicos ao longo dos anos.

A investigação também identificou diferentes frentes de atuação da organização, incluindo a liberação irregular de cargas, favorecimento de empresas no setor de óleo e gás e recebimento de vantagens indevidas em operações portuárias.

As autoridades destacam que o caso compromete não apenas a arrecadação de impostos, mas também a segurança das operações e o controle de mercadorias que entram no país.

E enquanto as investigações avançam, o caso expõe a dimensão de um esquema que pode ser um dos maiores já identificados no setor aduaneiro brasileiro.

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