Coppe inicia estudo de R$ 26 milhões para metrô entre Rio e Niterói

A passagem do Metrô Rio vai subir novamente

O metrô entre Rio e Niterói pode finalmente sair do papel. A Coppe/UFRJ iniciou, neste mês de junho, um estudo técnico que visa implementar a tão esperada Linha 3, com investimento de R$ 26 milhões provenientes de emendas parlamentares federais. O projeto prevê a construção de um túnel sob a Baía de Guanabara, interligando Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.

Sob coordenação do professor Rômulo Orrico, do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe, o estudo terá duração de 30 meses e analisará traçado, viabilidade econômica e impactos sociais da nova linha. Segundo ele, o objetivo é realizar um levantamento independente de propostas anteriores. “Vamos considerar o que já foi feito, mas com base técnica atualizada e sem compromisso com antigos traçados”, declarou.

A retomada da Linha 3 surge em meio ao movimento político liderado pelos prefeitos Eduardo Paes e Rodrigo Neves, que têm defendido o projeto como peça-chave caso as cidades venham a sediar os Jogos Pan-Americanos de 2031. A promessa reacende esperanças de moradores e especialistas da área de mobilidade.

Entre os principais desafios apontados por Orrico estão a carência de dados atualizados sobre os padrões de deslocamento na região metropolitana. “As cidades mudaram. Duque de Caxias, por exemplo, hoje é um polo de trabalho e não mais uma cidade-dormitório. Precisamos de dados que reflitam isso”, comentou. Ele também reforçou a importância estratégica da ligação Niterói–São Gonçalo, considerada a segunda maior conexão intermunicipal do país, atrás apenas do eixo São Paulo–Guarulhos.

O projeto da Linha 3 é antigo. Desde os anos 1960, diversas tentativas foram feitas para sua execução. Em 2000, um estudo do BNDES apontou a viabilidade de um túnel. Já em 2010, o TCU suspendeu repasses por problemas técnicos nos levantamentos. Em 2013, chegou-se a anunciar um monotrilho com 14 estações, que também não avançou.

Estima-se que o traçado mais recente, analisado em 2015, teria cerca de 21 km de extensão e custo superior a US$ 2,5 bilhões. Ele incluiria estações entre o Centro do Rio (Carioca) e São Gonçalo (Guaxindiba), passando por Arariboia, em Niterói.

Apesar do histórico de promessas não cumpridas, a Coppe aposta na solidez técnica como diferencial. A instituição já foi responsável por projetos importantes como o metrô de Salvador, o sistema de sincronização de semáforos do Rio e iniciativas com hidrogênio verde.

Agora, a expectativa é que o estudo técnico sobre o metrô entre Rio e Niterói transforme um antigo sonho de mobilidade em realidade. Com dados atualizados e metodologia rigorosa, a proposta tenta convencer o poder público de que, desta vez, o projeto merece sair do papel.

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