Clube icônico de Brasília, abandonado por duas décadas, ganha nova vida como espaço cultural do Senado
Brasilienses que viveram as décadas de 1970 e 1980 guardam na memória as piscinas vibrantes, as quadras disputadas e os shows memoráveis de artistas como Alceu Valença e Legião Urbana no antigo Clube do Servidor Civil. Este espaço, que povoou o imaginário da cidade, esteve fechado por 20 anos, mas agora se prepara para um novo capítulo.
Em 9 de dezembro, o local será reinaugurado como Senado Cultural, abrindo suas portas para a comunidade com exposições, galerias e atividades culturais. A estrutura, que começou a ser desenvolvida em 1973 e inaugurada em 1976, sofreu com o abandono após seu fechamento em 1997, tornando-se um símbolo de depredação.
A marcante fachada elíptica, porém, sempre chamou a atenção, e agora a expectativa é que o espaço volte a figurar no calendário de programas das famílias do Distrito Federal. Conforme informações divulgadas pelo Metrópoles, a transformação do local em um centro cultural marca o fim de um longo período de descaso e abre caminho para um futuro promissor.
Do abandono à revitalização: uma nova era para o Senado Cultural
O antigo Clube do Servidor Civil, idealizado inicialmente para funcionários do Ministério da Educação e Cultura e ampliado para todo o funcionalismo público por decisão do presidente Ernesto Geisel, passou por um triste período após seu fechamento em 1997. O que antes era um ponto de encontro e lazer tornou-se palco de vandalismo, com postes derrubados, vidros quebrados e até a remoção de sanitários.
Uma reportagem do Metrópoles em 2024 revelou o estado de degradação, com piscinas vazias, vegetação sem poda e a formação de poças d’água, que contribuíam para a proliferação de mosquitos transmissores da dengue. A estrutura, outrora vibrante, estava tomada pela negligência.
Senado Cultural: um espaço para todos
A reinauguração em 9 de dezembro promete transformar o local em um ambiente familiar e cultural. A exposição inaugural, intitulada “Senado em Movimento, 200 anos de História”, já foi anunciada. Segundo a Agência Senado, o espaço contará com auditório, galerias, áreas de convivência e restaurantes, além de um paisagismo assinado pelo renomado Escritório Burle Marx.
Os ingressos para o Senado Cultural serão gratuitos, mediante registro na bilheteria para organização. A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, destacou que o projeto inclui playground, coworking, paisagismo e espaços para palestras, descrevendo-o como “um projeto grandioso e diferenciado de tudo que já existe em Brasília”.
Acervo e memórias no coração do novo espaço
Após a exposição inicial, a galeria principal abrigará itens do acervo museológico do Senado. O espaço será dividido em quatro áreas, uma delas dedicada a obras representativas de todos os estados brasileiros, e outra focada na produção artística local. Haverá também uma área para exposição sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
A ideia de transformar o local em um centro cultural surgiu em 2018, após negociações e a cessão do espaço para uso por 50 anos. Inicialmente concebido como Centro Cultural dos Poderes da União, o projeto foi adaptado para envolver apenas o Senado, conforme informações de Maria Cristina Monteiro, chefe do Serviço do Acervo Museológico do Senado.
Planejamento e desafios superados
A viabilização do orçamento e as alterações no Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) foram etapas necessárias para a concretização do projeto, visto que o terreno é classificado como área destinada a clubes. O projeto também enfrentou um período de pausa devido aos eventos de 8 de janeiro, quando os esforços se concentraram na restauração de patrimônios danificados.
Para Maria Cristina Monteiro, a inauguração representa a realização de um sonho para a equipe envolvida. “É um sonho nosso. É gratificante, pois todos trabalham com amor, com sangue no olho, pra ver esse projeto acontecer”, afirmou, destacando a dedicação em transformar o antigo clube em um vibrante polo cultural para Brasília.













