O cantor e compositor Chico Buarque, de 82 anos, procurou a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro após receber uma ameaça de morte na internet. O caso foi levado para apuração de crime contra a integridade física.
Ameaça contra Chico Buarque mobiliza a Delegacia de Crimes Virtuais
A representação criminal foi encaminhada pela advogada do artista, Maíra Fernandes, para a DRCI, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática da Polícia Civil. A defesa formalizou uma notícia-crime solicitando a imediata abertura de inquérito policial para identificar quem publicou o ataque na rede mundial de computadores.
O episódio aconteceu na área de comentários de uma matéria jornalística da Folha de S. Paulo. Na ocasião, um perfil publicou a mensagem afirmando que adoraria abreviar a vida do músico carioca. A reportagem em que a intimidação foi inserida relatava a participação de Chico e de outros nomes da cultura brasileira em um ato político ocorrido na capital fluminense.
Logo após a identificação da mensagem violenta, a empresa de comunicação responsável pelo portal de notícias excluiu a postagem. O veículo informou que a conduta violava de forma frontal os termos de uso e as regras internas de participação dos leitores na plataforma digital. Apesar da remoção do texto, os dados técnicos da conexão foram preservados para permitir o trabalho dos agentes de investigação.
O que já se sabe sobre a apuração policial
A investigação está centralizada na unidade especializada da Polícia Civil, localizada no complexo da Cidade da Polícia, no bairro do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. A DRCI atua com foco em rastrear protocolos de internet, endereços IP e registros cadastrais para encontrar os autores de delitos graves cometidos em ambientes digitais.
De acordo com os procedimentos padrão desse tipo de ocorrência, os peritos iniciam a busca pelo registro de acesso do autor da mensagem no momento exato da postagem. Os dados fornecidos pelos provedores e pela plataforma ajudam a cruzar operadoras de internet, cabos ou conexões de telefonia celular para individualizar a conduta e responsabilizar judicialmente o remetente.
A polícia ainda não divulgou prazos para a conclusão dos laudos, nem confirmou a identidade de suspeitos até este momento. O inquérito busca verificar se o autor cometeu os crimes de ameaça e incitação à violência, ambos previstos no Código Penal Brasileiro, o que pode acarretar penas de detenção, processos cíveis de indenização e medidas restritivas de contato.
O que fazer se você foi vítima de crime pela internet
Quem passa por ofensas graves, intimidações de morte, perseguição digital ou fraudes precisa agir com rapidez para preservar as provas antes que o agressor apague os registros virtuais. O primeiro passo é registrar imagens claras da tela, conhecidas como capturas ou prints, onde apareçam o link completo da página, a data, o horário exato e o nome do perfil do ofensor.
Para dar valor judicial a essas imagens, o cidadão pode procurar um cartório de notas e solicitar uma ata notarial, documento lavrado pelo tabelião que comprova que o conteúdo realmente existia naquele endereço da web. Em seguida, a vítima deve fazer o registro de ocorrência policial sem demora.
No Estado do Rio de Janeiro, a Delegacia Eletrônica da Polícia Civil permite o registro online de diversos delitos pelo site oficial da corporação. Casos de violência dirigida ou ameaças diretas também podem ser registrados presencialmente em qualquer delegacia de bairro, a 1ª Delegacia de Polícia até as distritais da Baixada Fluminense, que farão o encaminhamento necessário aos peritos da DRCI.
Como denunciar ameaças e crimes virtuais no Rio
Qualquer pessoa que tome conhecimento de crimes cometidos na internet ou ameazas graves contra terceiros pode repassar informações de maneira segura aos órgãos competentes. A cooperação popular é peça chave para que os setores de inteligência localizem criminosos cibernéticos com agilidade.
- Disque Denúncia do Rio: Ligue para o número (21) 2253-1177. O canal funciona durante 24 horas por dia, com atendimento telefônico totalmente anônimo.
- WhatsApp do Disque Denúncia: O serviço recebe mensagens e arquivos pelo telefone (21) 2253-1177, garantindo o sigilo de quem passa o relato.
- Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática: Fica na Rua São Francisco Xavier, número 1364, prédio da Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Rio de Janeiro. O local atende demandas específicas de crimes ocorridos em plataformas digitais.
- Atendimento de Urgência: Em situações com risco iminente de agressão corporal, a população deve ligar imediatamente para o telefone 190 da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
O caso segue em tramitação no setor especializado da polícia fluminense, e novas atualizações devem ser registradas assim que as empresas de tecnologia responderem às solicitações judiciais com os dados de navegação do autor da publicação ofensiva.















