A informação de que a Cedae investiu R$200 milhões no Banco Master, agora em liquidação, colocou a companhia na mira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O aporte foi realizado em outubro de 2023, segundo nota da própria empresa, que afirma ter seguido as políticas internas de investimento, governança e compliance, com aprovação do Conselho de Administração. A apuração ocorre após o Banco Central decretar regime de administração especial temporária por 120 dias e determinar a liquidação do conglomerado, no mesmo dia em que o presidente da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal.
A investigação policial aponta que as fraudes ligadas ao grupo financeiro podem chegar a R$ 12 bilhões. Deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSD) alega que a Cedae chegou a ter mais de R$ 218 milhões aplicados em CDBs do Master, motivada por promessas de “alta liquidez e baixo risco”. A companhia destaca que o rendimento estava acima do padrão do mercado e que a política adotada em 2022 contribuiu para três anos de resultados superavitários. Em setembro, porém, iniciou o resgate da aplicação depois que o Master teve seu grau de investimento rebaixado, ficando desenquadrado das regras internas.
A Cedae afirma que o banco vinha honrando os pagamentos até esta semana, quando houve atraso de uma parcela. Diante disso, a empresa comunicou um fato relevante à CVM e informou que aguarda os desdobramentos para tomar medidas jurídicas. O deputado Luiz Paulo, no entanto, vê a situação com preocupação e afirma que operações desse tipo podem comprometer recursos públicos. Para ele, a atuação da PF deve gerar desdobramentos importantes para o estado.
O caso reacende o debate sobre investimentos de órgãos estaduais no Banco Master, já que o Rioprevidência também aplicou valores expressivos em fundos ligados ao grupo. A autarquia, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores inativos do Rio, destinou R$ 2,6 bilhões a fundos vinculados ao conglomerado entre 2024 e 2025, atraída por taxas consideradas mais vantajosas. Segundo Luiz Paulo, a rentabilidade oferecida — cerca de 130% do CDI — parecia difícil de ser mantida. Ele ressalta que a situação da Cedae repete a do Rioprevidência, que já havia sido alvo de investigação do TCE-RJ por aplicações semelhantes.
Com o avanço das apurações, tanto o investimento da Cedae quanto o do Rioprevidência entram novamente no centro das discussões sobre segurança, transparência e risco no uso de recursos públicos, especialmente em instituições financeiras que passaram a enfrentar instabilidade nos últimos anos.














