O Caso Henry teve novos desdobramentos nesta terça-feira (2), durante o interrogatório de Monique Medeiros no Tribunal do Júri. A mãe de Henry Borel contestou o depoimento da babá Thayná de Oliveira Ferreira e negou ter obrigado a funcionária a apagar mensagens sobre supostas agressões sofridas pelo filho.
No domingo (31), Thayná afirmou em depoimento que teria sido orientada a mentir para sustentar uma versão favorável a Monique e ao então vereador Jairinho após a morte do menino. Segundo a testemunha, ela recebeu recomendações para apagar conversas do celular e evitar informações que pudessem comprometer os acusados.
Durante o interrogatório, Monique negou a acusação e chamou a babá de mentirosa. Ela afirmou que nunca pediu para Thayná apagar mensagens e questionou o motivo de fazer isso se também tinha registros no próprio celular.
“Não mandei a Thayná apagar mensagens. A Thayná é uma grande mentirosa. Por que eu mandaria a Thayná apagar prints se eu também tinha os prints no meu celular? Eu nunca mandei essa menina apagar essas mensagens. Se eu fosse tão impositiva assim, teria pegado o celular para apagar as mensagens ou pedido para mostrar as mensagens sendo apagadas”, declarou Monique, durante o julgamento.
A ré também falou sobre a noite da morte de Henry, em 8 de março de 2021. Segundo Monique, ela costumava tomar remédios à noite e Jairinho teria dado a medicação naquele dia. A acusada afirmou acreditar que pode ter sido dopada pelo então namorado sem saber.
Monique relatou que estava confusa e com dificuldade para entender o que havia acontecido quando foi até o quarto do filho, após Jairinho dizer que tinha ouvido um barulho. Segundo ela, o então companheiro afirmou que havia colocado Henry deitado na cama e que o menino não respirava.
“Ele [Jairo] deu os remédios e disse que também tomaria, mas não vi se ele tomou. Fui até o quarto do Henry e o vi descoberto. Ele estava com a mãozinha e o pé gelados. Estava olhando para o nada. Eu não estava entendendo, tinha tomado remédio. No hospital, o Jairo disse que escutou um barulho e eu comecei a reproduzir isso. O Henry estava todo branquinho, não tinha marca nenhuma. Não passava nada na minha cabeça. Só pensava que o meu filho tinha caído da cama e estava desacordado. Não tinha nenhum indicativo que havia sido uma morte violenta. O hospital teria ligado para a polícia”, afirmou.
A mãe de Henry disse ainda que não sabia dos ferimentos e que não quis ver o corpo do filho. Durante o depoimento, ela chorou ao relembrar o caso.
Monique também contou que só soube que Jairinho não teria tomado remédio para dormir quando uma ex-namorada do ex-vereador revelou que conversava com ele na madrugada da morte de Henry. Ao confrontá-lo, segundo a ré, ele negou a conversa.
“Eu realmente dei tapas no rosto dele e falei: ‘Você matou meu filho’. Ele pegou uma bíblia, colocou a mão em cima e disse: ‘Eu juro pelos meus três filhos mortos que eu nunca encostei um dedo no seu filho.’ Hoje, eu creio que foi o Jairo”, comentou.
O interrogatório de Monique Medeiros segue como uma das etapas mais aguardadas do julgamento. A acusada responde no caso ao lado de Jairinho, em um processo que mobiliza a Justiça e acompanha a busca por respostas sobre a morte de Henry Borel.














