“Eu não conheci o samba. Eu fui embalado por ele.” Carlinhos de Jesus tinha sete anos quando a Em Cima da Hora foi fundada, a poucos metros de casa, em Cavalcante, e pegava no sono chupando o dedo e se balançando no ritmo da bateria que vinha da quadra, como gosta de contar. O dançarino, coreógrafo e diretor de movimento é o convidado do episódio de O Samba Tem História desta sexta-feira, 2 de outubro, no canal da Rádio Samba no YouTube e no aplicativo da webrádio.
Na conversa com o jornalista e pesquisador Pedro Paulo Malta, Carlinhos volta à infância, onde o pai, Amarante, recebia a vizinhança com os melhores uísques da coleção. Numa dessas visitas de fim de ano, João Severino, presidente da Em Cima da Hora, viu o menino de oito anos sambar pela primeira vez e avisou que ele tinha que desfilar. A mãe não queria, mas pai e filho ganharam a disputa.
“A Em Cima da Hora foi a minha carta de alforria. Me deu a liberdade de ficar na rua até meia-noite”, conta no episódio.
Pela escola, ele desfilou em 1976 com “Os Sertões”, que considera o maior samba-enredo de todos os tempos, e ganhou o Estandarte de Ouro de melhor passista em 1985. Naquele mesmo ano, Carlinhos foi parar no cinema. A coreógrafa Regina Miranda o chamou para ensinar trejeitos de malandro a Edson Celulari no set de “Ópera do Malandro”, de Ruy Guerra.
Durante uma dessas aulas, ele chamou a atenção do diretor e de Chico Buarque, que passavam pela cidade cenográfica. Saiu de lá com um papel no bando de Max Overseas e com o terno de linho branco que virou sua marca.
“Isso eu carrego até o resto da minha vida”, relembra emocionado.
O malandro voltou à avenida em 1998, quando Carlinhos assinou a comissão de frente da Mangueira em homenagem a Chico Buarque. No primeiro momento, recusou o convite, porque substituir Deborah Colker era demais para ele. Foi a mulher quem mandou voltar e aceitar. A Mangueira foi campeã, a comissão levou nota 10 e o Estandarte de Ouro, e Carlinhos raspou a cabeça na quadra, ao lado de Chico, para pagar promessa.
“O malandro que eu quis trazer foi o Sátiro do Bilhar. O malandro antigo, elegante. Era o Wilson Grey na avenida”, explica a Paulo.
Cria de uma escola batizada pela Portela, amigo de Jerônimo e frequentador da quadra de Madureira, Carlinhos explica como virou mangueirense.
“O culpado disso chama-se Cartola. Minha memória afetiva está toda na Portela. Talvez hoje eu seja mangueirense porque a Mangueira me pegou no colo”, diz.
Depois vieram comissões para Beija-Flor, Vila Isabel, Portela, Império Serrano, Porto da Pedra e União da Ilha, onde levou mais um Estandarte de Ouro, em 2018. No episódio, ele fala também de por que se afastou do carnaval e do método que sempre usou, que é começar pelo samba.
“O primeiro ponto de vista que eu olho é a composição, o que aquele compositor narra. Esse samba tinha que me embalar como me embalava a batucada da Em Cima da Hora quando eu tinha sete anos”, explica.
O episódio faz parte da temporada que estreou em 4 de setembro com Nei Lopes e vai até 20 de novembro, com um programa por semana. São cerca de 60 minutos de conversa com intérpretes, compositores e pesquisadores de diferentes gerações, num acervo sobre a formação do samba carioca. Depois de Carlinhos de Jesus vêm Nilze Carvalho (09/10) e Marquynhos Diniz (23/10). Milton Manhães, Paulinho Resende e Marcos Sacramento fecham a temporada.
A temporada coincide com o melhor momento da Rádio Samba desde a estreia do canal. Nas últimas quatro semanas, o YouTube da rádio teve [929 mil] visualizações e [135,8 mil] espectadores únicos. Desde dezembro de 2023, quando foi inaugurada, a plataforma soma mais de 3,4 milhões de visualizações e cerca de 25 mil horas assistidas.
Sobre a Rádio Samba
Idealizada por Dudu Pagodinho, diretor artístico e audiovisual, e por Maurício Barzilai, publicitário e mestre em inovação, a Rádio Samba se consolidou em dois anos como o principal canal digital dedicado ao gênero no Brasil. Inaugurada em 2 de dezembro de 2023, reúne música, memória, gastronomia, audiovisual e impacto social, com aplicativo próprio, programação gratuita e conteúdo 24 horas por dia.
“O samba é um elo entre gerações. Com esses novos programas, queremos mostrar que o passado e o futuro podem existir em perfeita sintonia”, afirma Dudu Pagodinho.
A rádio também atua em projetos de impacto social. Em parceria com a Rio Brasil Terminal e o CRAS XV de Maio, no Caju (RJ), mantém uma Oficina de Percussão gratuita, coordenada por Marcelinho Moreira, com iniciação musical para crianças e jovens da comunidade.
“O samba é resistência, é alegria e é futuro. A Rádio Samba existe para garantir que o batuque nunca pare e que a história continue sendo contada por quem a vive e por quem a reinventa”, finaliza Maurício Barzilai.
Serviço – O Samba Tem História — nova temporada
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04/09 — Nei Lopes
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11/09 — Fred Camacho
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18/09 — Marcelle Motta e Marina Íris
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25/09 — Leandro Fregonesi e Raul DiCaprio
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02/10 — Carlinhos de Jesus
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09/10 — Nilze Carvalho
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23/10 — Marquynhos Diniz
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06/11 — Milton Manhães
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13/11 — Paulinho Resende
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20/11 — Marcos Sacramento















