Cão é baleado na Cidade Alta e passa por cirurgia no HMV de Irajá

Um cachorro da raça pitbull, chamado Pirata, passou por uma cirurgia de emergência no Hospital Municipal Veterinário São Francisco de Assis, em Irajá, após ser baleado no focinho na comunidade da Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio.

O caso aconteceu neste domingo (6/9), quando o animal fugiu de casa e acabou atingido por um disparo de arma de fogo nas ruas da comunidade. Moradores da região socorreram o cão, que sangrava bastante, e o levaram para a unidade de saúde municipal.

Resgate de pitbull baleado na Cidade Alta mobiliza moradores e veterinários

Segundo relatos de moradores da Cidade Alta que ajudaram no resgate, o cachorro teria escapado da residência de seus tutores e circulava livremente pelas vias da localidade. Durante a fuga, o animal teria avançado em direção a uma criança que estava na rua. Para impedir o ataque, um criminoso armado que estava no local efetuou o disparo contra o rosto do cão.

Assustados com o sangramento intenso e o estado grave do animal, os vizinhos procuraram apoio para conseguir atendimento médico veterinário urgente. Eles entraram em contato com o vereador Luiz Ramos Filho, membro da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que orientou o grupo a encaminhar o pitbull imediatamente para o hospital público de Irajá.

Na unidade de saúde, os médicos veterinários realizaram exames urgentes e constataram que o projétil continuava alojado na região facial do animal. Pirata foi levado direto para o centro cirúrgico para a retirada do projétil de calibre .40. O procedimento foi bem-sucedido, e o cachorro recebeu alta no mesmo dia sob os cuidados da pessoa que realizou o resgate, recebendo prescrição de medicação e orientações de repouso.

Como funciona o atendimento no Hospital Veterinário de Irajá?

O Hospital Municipal Veterinário São Francisco de Assis fica localizado na Rua Professor Carlos Cruz, em Irajá, Zona Norte da cidade. A unidade presta serviços gratuitos de consultas clínicas, cirurgias de urgência e emergência, exames laboratoriais e exames de imagem para cães e gatos de moradores do município do Rio de Janeiro.

Para conseguir atendimento eletivo, o tutor deve apresentar documento de identidade com foto, CPF e comprovante de residência no município do Rio. Nos casos de urgência e emergência, como atropelamentos e ferimentos por arma de fogo, o socorro é imediato na triagem do hospital. Caso o estado do animal se complique no pós-operatório, os tutores devem retornar com o paciente à unidade para nova avaliação da equipe médica.

O que fazer se você foi vítima ou presenciou maus-tratos a animais?

Maus-tratos contra animais e agressões com uso de armas de fogo configuram crime previsto na Lei Federal nº 9.605/1998. No caso de cães e gatos, a pena para quem comete esse tipo de violência varia de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda de animais.

Quem testemunhar casos de agressão, abandono ou disparos contra animais pode realizar denúncias de forma totalmente anônima. O canal principal no Estado do Rio de Janeiro é o Disque Denúncia, pelo telefone (21) 2253-1177, que funciona 24 horas por dia. Também é possível registrar o fato na delegacia de Polícia Civil mais próxima ou por meio da Linha Verde, programa do Disque Denúncia voltado para crimes ambientais.

Como fica a região e o protocolo de segurança

A violência armada na Zona Norte do Rio tem afetado diretamente a rotina dos moradores e a integridade de animais domésticos na Cidade Alta e comunidades vizinhas, como o Morro do Turiaçu. O caso de Pirata é o sexto registro de animal baleado atendido pela rede municipal de saúde veterinária apenas neste ano. Diante da frequência das ocorrências, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (SMPDA) adotou um protocolo fixo para notificar as autoridades policiais a cada paciente que dá entrada ferido por tiros.

Apesar da retração de muitos moradores em denunciar por medo de represálias das facções criminosas que atuam no local, a notificação hospitalar garante que a Polícia Civil tome conhecimento formal do crime para instaurar inquéritos e investigar a origem dos disparos. Na Cidade Alta, a rotina de transportes, comércio e escolas segue sem interrupções oficiais, mas o clima entre os moradores permanece de apreensão após os disparos na área residencial.

Quem responde pelo caso e o que dizem as autoridades

A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais do Rio de Janeiro, chefiada pela secretária Jeniffer Coelho Ramos, confirmou que orientou os responsáveis pelo socorro sobre os cuidados pós-cirúrgicos necessários para a recuperação do pitbull. A pasta reiterou que todas as ocorrências de perfuração por arma de fogo em animais atendidos na rede pública são informadas formalmente às forças de segurança do Estado.

A investigação dos disparos efetuados na Cidade Alta fica a cargo da 38ª DP (Irajá) ou da delegacia da área, que busca identificar a autoria do tiro de calibre .40. O Batalhão de Polícia Militar da região (41º BPM) realiza o policiamento no entorno da comunidade. Até o momento, nenhum suspeito do disparo foi preso ou formalmente identificado pelas autoridades.

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