A ascensão das canetas emagrecedoras impulsiona um nicho inesperado no mercado de vestuário, com alfaiates e sapateiros registrando um aumento significativo na demanda por serviços de ajuste. Essa tendência reflete a busca por soluções econômicas para adaptar roupas e acessórios às novas silhuetas.
A popularidade crescente das canetas emagrecedoras tem gerado um fenômeno curioso: uma procura acentuada por alfaiates e sapateiros. Nos Estados Unidos, profissionais que trabalham com couro relatam um notável aumento na demanda por ajustes em cintos e sapatos, visando adaptar essas peças às mudanças corporais decorrentes do emagrecimento. Essa escolha se consolida como uma alternativa mais acessível para usuários de medicamentos como Mounjaro e Ozempic.
A decisão de recorrer a alfaiates e sapateiros está intrinsecamente ligada à situação econômica. Com o aumento do custo de vida e os gastos contínuos com os medicamentos, especialmente após a exclusão de muitos planos de saúde da cobertura para fármacos à base de GLP-1, a população prefere ajustar o que já possui a investir em novas peças. Assim, esses profissionais se apresentam como uma solução econômica e rápida para as transformações pós-emagrecimento.
Conforme informação divulgada por reportagens nos Estados Unidos, a loja online Cobblers Direct, especializada em consertos de sapatos e bolsas, já observa um crescimento anual de dois dígitos em serviços de encurtamento de cintos. O CEO Stephen Kelly informou que a empresa está ajustando cerca de 500 cintos semanalmente. Na Jim’s Cobbler Concierge, em Manhattan, a situação é semelhante, com clientes trazendo dezenas de cintos para ajuste, uma tendência que os funcionários apelidaram de “belt-zempic”, uma junção de “belt” (cinto em inglês) e “Ozempic”.
Ajustes em sapatos e o “símbolo de honra” do cinto
Os sapateiros também têm recebido um fluxo constante de pedidos para ajustar tiras de sapatos abertos. Um dos efeitos relatados por usuários de canetas emagrecedoras é a sensação de ter os pés menores. Na realidade, ocorre uma redução de gordura e inchaço na região, que fica mais fina, impactando o ajuste de calçados.
Além disso, clientes exibem com orgulho cintos com abas extras, resultado do aumento de furos no acessório. Essa prática tem se tornado um “símbolo de honra” entre aqueles que estão em processo de emagrecimento, evidenciando a jornada de transformação corporal.
A economia da transformação corporal impulsionada por medicamentos GLP-1
O caso dos alfaiates e sapateiros nos Estados Unidos é parte de um fenômeno maior, a chamada “economia da transformação corporal”. Ela conecta a popularidade dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, ao aumento nas vendas de roupas e acessórios. Essa influência é percebida em diversos segmentos do vestuário, desde peças casuais até lingerie.
No último ano, as ações da Victoria’s Secret, renomada marca de lingerie, valorizaram cerca de 300%, mesmo em meio a um processo de recuperação operacional. Em setembro de 2026, a empresa registrou um crescimento de 10% nas vendas do segundo trimestre, totalizando US$ 1,611 bilhão. Grande parte desse movimento está ligada ao emagrecimento de clientes, que necessitam renovar seus guarda-roupas para acomodar as mudanças de peso.













