Caiado defende impeachment de Moraes e propõe corte de R$ 100 bi em gastos; veja outras propostas

Caiado, em sabatina, defende afastamento de Moraes, propõe corte de R$ 100 bi e critica Lula; confira os temas abordados.

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) participou de uma sabatina na CNN Brasil nesta quarta-feira (2/9), onde abordou temas cruciais para a campanha eleitoral. Entre as declarações de destaque, o político defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, Caiado apresentou propostas econômicas ambiciosas, como um corte de pelo menos R$ 100 bilhões em despesas, e abordou questões de segurança pública, como o uso de câmeras corporais por policiais.

Durante a entrevista, que durou cerca de uma hora, o ex-governador de Goiás também voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abordando temas como a exploração de terras raras. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

Moraes no STF: Caiado pede afastamento e defende impeachment

Em relação ao ministro Alexandre de Moraes, Ronaldo Caiado considerou a permanência do magistrado no STF como “inaceitável”, especialmente após novas revelações sobre suas relações com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Caiado afirmou que não vê como Moraes deveria permanecer no cargo, pois isso seria um desrespeito à sociedade brasileira.

Ele sugeriu que o próprio STF inicie uma discussão sobre o caso e determine o afastamento de Moraes. O candidato também avaliou que o Senado Federal teria maioria para aprovar um processo de impeachment contra o ministro.

Caiado alertou ainda sobre o risco de um “golpe” caso informações sigilosas de investigações envolvendo autoridades permaneçam sob sigilo. Ele defendeu a quebra do sigilo de processos para que os eleitores saibam em quem estão votando nas eleições.

O candidato propôs ainda que a idade mínima para ingresso no STF seja elevada para 60 anos e defendeu uma investigação mais aprofundada sobre os indicados antes da nomeação.

Economia: Proposta de corte de gastos e desvinculação de benefícios

Na área econômica, Ronaldo Caiado detalhou suas propostas para atingir um superávit de 0,5% do PIB. Ele pretende cortar inicialmente pelo menos R$ 100 bilhões em despesas, podendo alcançar uma economia total de R$ 120 bilhões a R$ 130 bilhões com medidas adicionais.

Entre as medidas citadas estão o corte de R$ 50 bilhões em emendas impositivas, a redução de 25% no custeio dos Poderes e órgãos independentes, a revisão de incentivos fiscais e uma auditoria no sistema de benefícios.

Questionado sobre a desvinculação dos benefícios previdenciários do reajuste do salário mínimo, Caiado afirmou que não pretende iniciar o ajuste por aposentados e beneficiários do BPC, apesar de seu coordenador de campanha ter defendido a medida. Ele atribuiu parte dos problemas econômicos brasileiros ao alto endividamento e aos juros.

Segurança Pública: Câmeras corporais, terrorismo e presídios

Sobre segurança pública, Caiado expressou ceticismo quanto ao uso de câmeras corporais em operações de alta letalidade, declarando: “Eu nunca vi um campo de guerra policial ter câmera”. Ele justificou o comentário comparando operações em comunidades a situações de guerra, devido ao poderio bélico dos criminosos.

Como presidente, Caiado se comprometeu a fornecer câmeras aos estados que desejassem utilizá-las, mas sem obrigar os governadores. Ele também planeja ampliar o uso de inteligência artificial na segurança pública.

Outra proposta apresentada foi a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, visando ampliar a atuação federal contra elas. Caiado também pretende construir 40 presídios de segurança máxima e criar um Ministério da Segurança Pública.

O candidato também comentou sobre a operação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e afirmou que, se eleito, pretende despachar diretamente em comunidades cariocas, como Morro do Alemão e Complexo da Penha.

Críticas a Lula e debate sobre terras raras e escala 6×1

Ronaldo Caiado aproveitou a sabatina para criticar o presidente Lula sobre a exploração de terras raras e minerais críticos. Ele afirmou que foi necessário ensinar ao presidente sobre o potencial econômico desses recursos, ironizando: “Eu acredito que o Lula não saiba nem o que é uma tabela periódica”.

O candidato defendeu a criação de uma legislação específica para minerais críticos e que o Brasil deixe de exportar esses recursos apenas como matéria-prima, ressaltando a falta de conhecimento do governo federal sobre minerais estratégicos.

Em relação à escala 6×1, Caiado reiterou que nunca foi contrário à mudança para uma jornada 5×2, mas criticou o debate ocorrer em ano eleitoral. Ele defendeu que a mudança constitucional considere a situação de micro e pequenas empresas, afirmando que, mesmo sem essa exceção, continuaria favorável ao 5×2.

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