Moradoras de Armação dos Búzios saíram às ruas em um protesto contra a violência de gênero nesta segunda-feira. A mobilização cobra segurança imediata após três mulheres serem assassinadas em um intervalo de cinco dias na Região dos Lagos.
A passeata percorreu ruas centrais da cidade para pedir justiça e atendimento eficiente nos órgãos públicos. Moradoras, comerciantes e familiares de vítimas participaram com cartazes e palavras de ordem, exigindo medidas concretas da prefeitura e do governo estadual para conter os ataques contra mulheres no município turístico.
Onda de crimes graves assusta moradoras na Região dos Lagos
As mortes violentas ocorreram entre os dias 23 e 27 de outubro nas cidades de Armação dos Búzios e Rio das Ostras. As vítimas foram identificadas pelas autoridades como Valéria Matos Ribeiro, de 48 anos, Emanuelly Caroline Gomes de Oliveira, de 19 anos, e Taís de Souza Santana, de 24 anos. Segundo a polícia, até o momento não existem indícios de ligação entre os três casos.
O primeiro caso aconteceu no bairro Vila Verde, em Búzios. Valéria caminhava para levar o filho de 8 anos até a escola quando foi atacada a facadas pelo ex-companheiro. A criança também sofreu ferimentos superficiais durante a agressão. Valéria chegou a ser socorrida com vida para o Hospital Municipal Doutor Rodolpho Perissé, onde passou por procedimento cirúrgico, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no domingo seguinte. O homem investigado pelo ataque foi encontrado sem vida pouco tempo depois.
A Secretaria Municipal da Mulher de Búzios afirmou que Valéria não possuía cadastro ativo no Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) nem recebia visitas da Patrulha Maria da Penha. A prefeitura informou ainda que designou equipes de assistentes sociais para prestar atendimento aos familiares da vítima.
Suspeita de queima de arquivo em assassinato de jovem de 19 anos
O caso da jovem Emanuelly Caroline gerou revolta adicional entre os moradores da região. Ela foi localizada morta dentro de casa, também em Vila Verde, com as mãos amarradas e ferimentos graves no pescoço provocados por arma branca. A apuração inicial da 127ª Delegacia de Polícia aponta que o crime pode ter sido planejado para calar um processo judicial em andamento.
De acordo com os investigadores da Polícia Civil, Emanuelly havia formalizado em 2020 uma ocorrência de violência sexual cometida pelo ex-cunhado. A audiência judicial do caso estava com data marcada para o próximo dia 11 de novembro. A polícia apurou que o suspeito teria tentado subornar a família com pagamentos de contas e dinheiro para retirar a queixa, oferta que acabou rejeitada. Dois homens acabaram detidos nesta terça-feira sob a acusação de atuarem como mandante e executor da execução.
O que muda na rotina de quem mora na região
O clima entre as mulheres trabalhadoras e estudantes em Búzios é de extrema apreensão. Muitas moradoras relatam medo de circular em ruas com pouca iluminação nos bairros mais distantes da área turística, como o bairro Vila Verde. Coletivos comunitários e entidades feministas prometem manter vigílias e atos públicos nas próximas semanas para cobrar policiamento constante nas áreas residenciais da cidade.
O comércio local e a rotina escolar também sentiram os reflexos das perdas recentes. Pais relatam receio nos trajetos a pé para as unidades escolares, pedindo que a Guarda Civil Municipal reforce o patrulhamento preventivo nas portas dos colégios municipais nos horários de entrada e saída dos alunos.
O que fazer se você foi vítima ou sofre ameaças
Mulheres que enfrentam situações de perigo, agressão verbal, física ou ameaças devem procurar acolhimento e proteção de imediato. A Lei Maria da Penha garante a concessão de medidas protetivas de urgência, que determinam o afastamento compulsório do agressor e podem ser solicitadas em qualquer delegacia de polícia.
Para solicitar apoio institucional, compareça aos locais credenciados de acolhimento:
- Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) de Búzios: atendimento psicossocial gratuito com assistentes sociais e psicólogos. O serviço funciona em dias úteis, das 8h às 17h.
- 127ª Delegacia de Polícia (Armação dos Búzios): Estrada Bento Ribeiro Dantas, s/nº. O atendimento em regime de plantão funciona 24 horas por dia para registro formal de ocorrência. Documento de identificação oficial com foto deve ser apresentado.
- Registro online: ocorrências de violência doméstica que não exijam exame de corpo de delito imediato podem ser cadastradas pela internet na plataforma da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Como denunciar agressões e casos suspeitos
A população pode ajudar a interromper ciclos de violência denunciando casos de vizinhas, amigas ou parentes em situação de risco. As denúncias auxiliam no monitoramento das forças de segurança pública e podem ser feitas totalmente sob sigilo:
- Disque Denúncia: pelo número 2253-1177. O serviço aceita ligações gratuitas e funciona de forma anônima durante as 24 horas do dia em todo o estado do Rio de Janeiro.
- Central de Atendimento à Mulher: número 180, canal nacional e gratuito que recebe queixas e oferece orientações detalhadas sobre os direitos da vítima.
- Polícia Militar (PMERJ): ligue para o telefone 190 em caso de emergência ou agressão em andamento.














