O Banco Central lança Pix Parcelado em setembro, criando uma nova alternativa de crédito para consumidores e lojistas. A modalidade permitirá que compras sejam parceladas diretamente pelo aplicativo do banco, sem a necessidade de cartão de crédito, funcionando como uma espécie de “carnê digital” adaptado ao cenário atual.
Segundo o BC, as regras de funcionamento serão divulgadas no fim do mês, com o objetivo de padronizar a experiência, garantir transparência e estimular o uso consciente. Para os comerciantes, o valor da compra será recebido integralmente no ato da transação, enquanto o consumidor assumirá o compromisso de pagar as parcelas com débito em conta, acrescidas de juros conforme o perfil de crédito.
Especialistas acreditam que a novidade pode reduzir a dependência do cartão de crédito, ampliando a concorrência entre os meios de pagamento. João Fraga, CEO da Paag, avalia que o recurso tende a se tornar um marco para o setor: O Pix Parcelado pode, no futuro, substituir parte das compras parceladas no cartão, oferecendo um modelo mais barato e imediato para lojistas e clientes.
A funcionalidade também pode ampliar a inclusão financeira. De acordo com Ticiana Amorim, fundadora da Aarin, milhões de brasileiros que não possuem cartão de crédito poderão acessar o parcelamento por meio do Pix. Segundo pesquisa da Quaest, 60% da população de baixa renda não possui cartão, mas 65% já utiliza o Pix diariamente.
Para o comércio, a expectativa é de que a novidade aqueça as vendas. Aldo Gonçalves, presidente do CDLRio e do SindilojasRio, destaca que a modalidade dará fôlego ao setor: O Pix Parcelado cria possibilidades para quem não tem cartão e garante liquidez ao lojista, mesmo em um cenário econômico restritivo.
Apesar do otimismo, especialistas reforçam a importância de educação financeira para evitar endividamento. A modalidade deve coexistir com os cartões de crédito no curto prazo, mas tende a estimular novos hábitos de consumo no país.














