Autonomia desde cedo ajuda crianças a lidar com responsabilidades do dia a dia

Crianças

No Colégio Marista São José – Tijuca, atividades da rotina escolar estimulam crianças a fazer escolhas, assumir responsabilidades e desenvolver paciência

Em uma rotina cada vez mais acelerada, em que os adultos precisam lidar com compromissos, horários e múltiplas tarefas, as crianças também são impactadas pelo ritmo da vida cotidiana. Nesse contexto, aprender a esperar, fazer escolhas, organizar os próprios materiais e resolver pequenos conflitos são habilidades que vão além do ambiente familiar e também fazem parte do processo de formação escolar. No Colégio Marista São José – Tijuca, no Rio de Janeiro, situações presentes no dia a dia dos estudantes são utilizadas como oportunidades para desenvolver autonomia e responsabilidade. A proposta é permitir que as crianças participem ativamente da própria rotina, respeitando a idade e o nível de desenvolvimento de cada uma.

Organizar a mochila, guardar os materiais depois de uma atividade, cuidar dos próprios pertences, escolher entre determinadas possibilidades e cumprir pequenas tarefas são exemplos de situações que ajudam os estudantes a compreender que também têm responsabilidades no cotidiano. Para a escola, o processo precisa acontecer de maneira gradual, com acompanhamento dos adultos e espaço para que a criança experimente, erre, tente novamente e encontre soluções. “Autonomia não significa deixar a criança fazer tudo sozinha. É criar condições para que ela participe, faça escolhas e compreenda, aos poucos, as consequências das suas decisões. O adulto continua presente, mas atua como mediador desse processo”, explica Katia Soares, coordenadora da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais do Colégio Marista São José – Tijuca.

Outro aspecto trabalhado é a relação das crianças com o tempo, em uma sociedade marcada pela pressa, aprender a esperar a vez, ouvir o outro e respeitar o ritmo dos colegas também é uma forma de desenvolver habilidades importantes para a convivência. Na escola, momentos como brincadeiras coletivas, atividades em grupo e resolução de conflitos podem contribuir para esse aprendizado. “Vivemos uma realidade em que, muitas vezes, os adultos fazem pelas crianças para ganhar tempo. Só que algumas experiências precisam ser vivenciadas por elas. Esperar, organizar um material ou tentar resolver um conflito são situações que ajudam a desenvolver responsabilidade e confiança”, destaca Katia.

A autonomia está relacionada à capacidade de lidar com pequenas frustrações, quando uma criança precisa esperar, negociar uma brincadeira ou encontrar uma solução para um problema, ela tem a oportunidade de desenvolver recursos para lidar com diferentes situações. O papel da escola, nesse processo, é oferecer segurança e orientação sem retirar do estudante a possibilidade de participar ativamente da resolução. “É importante entender que autonomia é construída no cotidiano, em situações rotineiras. Quando a criança percebe que consegue cuidar de uma tarefa, fazer uma escolha ou encontrar uma solução com o apoio necessário, ela passa a desenvolver mais segurança para enfrentar novos desafios”, finaliza Katia.

Para as famílias, o desenvolvimento dessas habilidades pode ser estimulado em casa, com atitudes simples, como permitir que a criança organize seus objetos, participe de tarefas adequadas à sua idade, escolha entre opções possíveis e tenha tempo para concluir determinadas atividades. A combinação entre família e escola contribui para que a autonomia seja construída de forma gradual e coerente, acompanhando cada fase do desenvolvimento infantil.

Limpatech