Um jovem de 21 anos morreu após ser atropelado por trem em Japeri, na noite de domingo (15), em uma passagem de nível no bairro Engenheiro Pedreira, na Baixada Fluminense. O acidente provocou revolta na comunidade, que denuncia falhas no sistema de sinalização do local.
A vítima, identificada como Guilherme Lima da Silva, conduzia uma motocicleta quando foi atingida por uma composição da MRS Logística na passagem de nível da Rua da Cruz. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 23h, mas, segundo a corporação, o jovem já estava sem vida quando as equipes chegaram.
Familiares afirmam que o aviso sonoro da passagem apresentava problemas há dias. A mãe do rapaz, Veriani Lima, relatou que o equipamento estaria quebrado e que não havia funcionários orientando a travessia.
“Aquele sinal tá quebrado há mais de uma semana. Falaram que era pra ter os guardas dessa empresa que ficam ali pra avisar, né? Mas eles não estavam lá. E como estava quebrado, e quando vai, tem casa ali que cobre um pouco a vista se tá vindo ou não. Meu filho atravessou, o trem pegou ele. Eu perdi um pedaço de mim”, desabafou.
Moradores também relatam que o sistema de alerta vinha funcionando de forma irregular desde o ano passado, emitindo sinal contínuo ao longo do dia. Segundo eles, apesar das reclamações, não houve manutenção adequada. A possível pane no equipamento é apontada como um dos fatores que podem ter contribuído para o acidente.
Guilherme trabalhava como entregador e retornava do expediente em uma lanchonete próxima à linha férrea no momento da colisão.
Na segunda-feira (17), moradores organizaram um protesto na região exigindo melhorias na sinalização e reforço na segurança da passagem de nível. O corpo do jovem foi sepultado no Cemitério de Mucajá.
Policiais militares do 24º BPM (Queimados) estiveram no local para registrar a ocorrência. O caso é investigado pela 63ª DP (Japeri), que já ouviu testemunhas e o maquinista da composição.
Em nota, a MRS Logística lamentou a morte do jovem e informou que o maquinista acionou o freio de emergência ao perceber a travessia. A empresa ressaltou que, devido ao peso e à extensão da composição, o trem não consegue parar com a mesma rapidez que um veículo comum, o que impossibilitou evitar o impacto.
A concessionária também afirmou que vai apurar as queixas sobre o funcionamento do aviso sonoro e verificar se o equipamento pode ter sido alvo de vandalismo.
Enquanto a investigação avança, moradores cobram respostas e medidas concretas para evitar que novas tragédias voltem a acontecer no mesmo trecho da linha férrea.














