Atos em todo o país contestam megaoperação no Alemão e na Penha nesta sexta-feira

megaoperação no Alemão e na Penha

Movimentos sociais e coletivos ligados à pauta antirracista realizam nesta sexta-feira (31) uma série de manifestações em diversas cidades do Brasil para protestar contra a megaoperação no Alemão e na Penha, que deixou 121 mortos — entre eles, 117 suspeitos e quatro policiais.

Os atos ocorrem simultaneamente em capitais e cidades do Sudeste, Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste, com o objetivo de denunciar o que os organizadores classificam como “violência estatal contra populações negras e periféricas”. As mobilizações também pedem investigação das mortes, responsabilização dos envolvidos e o fim da militarização das ações policiais em comunidades.

No Rio de Janeiro, o principal ponto de concentração é o Campo do Ordem Penha, no Complexo da Penha, onde o ato começou às 13h, mesmo sob chuva. Moradores, mães, crianças e apoiadores se reuniram em um ambiente de comoção e resistência. De mãos dadas, entoaram o clássico “Rap da Felicidade”, cuja letra diz: “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci…”, em um gesto simbólico de luto e esperança.

Entre os demais locais confirmados, estão a Praça dos Direitos Humanos, em Nova Iguaçu; a Praça 7, em Belo Horizonte; o MASP, em São Paulo; a Esquina Democrática, em Porto Alegre; e o Museu da República, em Brasília. No Nordeste, há atos em Salvador, Recife, Fortaleza, Natal e São Luís; no Norte, em Belém.

Os organizadores pediram que os participantes vistam branco e levem velas, em homenagem às vítimas da megaoperação. “É um ato pacífico em relação ao massacre no Alemão. Precisamos que todos estejamos juntos, porque não é só a comunidade que sangra. Estamos todos organizados e mobilizados”, declarou Pamela Carvalho, pesquisadora das culturas negras e educadora.

Entre os movimentos presentes estão Coalizão Negra por Direitos, Mulheres Negras Decidem, Instituto Papo Reto, Raízes em Movimento, Voz das Comunidades e Frente Penha — todos unidos pelo mesmo apelo: paz, justiça e respeito à vida nas favelas.

Limpatech