Criminosos sequestram ônibus e espalham barricadas pela Zona Norte do Rio pelo segundo dia consecutivo

Ataques em Irajá e Colégio seriam represália à ocupação da PM no Complexo da Serrinha; veículo da Light também foi levado e seis linhas de ônibus tiveram a circulação afetada

Criminosos sequestraram pelo menos três ônibus e utilizaram os coletivos como barricadas para bloquear importantes vias de Irajá e Colégio, na Zona Norte do Rio, no início da tarde desta sexta-feira, dia 30 de outubro. Um carro de passeio e um veículo da concessionária Light também foram usados nos bloqueios, que provocaram transtornos no trânsito e prejudicaram a circulação do transporte público.

Os ataques seriam uma represália à ocupação da Polícia Militar no Complexo da Serrinha, em Madureira, determinada após uma operação contra o tráfico de drogas realizada na quinta-feira, dia 29. A região é dominada por criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), facção que também controla comunidades de Irajá.

Um dos ônibus foi atravessado na Avenida Monsenhor Félix, nas proximidades da estação de metrô de Irajá. Outro coletivo foi utilizado para bloquear a Avenida Pastor Martin Luther King Júnior, enquanto um terceiro, pertencente à empresa Flores, foi colocado como barricada em Colégio.

Também houve relatos de novos bloqueios na região da Primavera, em Cavalcanti, onde outro ônibus e um caminhão teriam sido utilizados pelos criminosos para impedir a passagem de veículos.

Funcionários da Light também foram abordados durante os ataques. Em nota, a concessionária informou que os profissionais passam bem e que os criminosos levaram a chave de um veículo da empresa.

Segundo o Rio Ônibus, os reflexos das ações criminosas começaram por volta das 12h30, afetando a circulação de seis linhas: 712 (Irajá x Cascadura), 774, SV774 e 775 (Madureira x Jardim América), 918 (Bangu x Bonsucesso) e 926 (Senador Camará x Penha).

Diante da insegurança, empresas de ônibus começaram a recolher veículos para evitar novos ataques.

Ocupação por tempo indeterminado

A sequência de ataques começou na quinta-feira, durante uma operação de policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) nas comunidades da Serrinha e Primavera.

A ação tinha como objetivos combater o tráfico de drogas, localizar criminosos e recuperar veículos roubados. Durante os confrontos, traficantes utilizaram drones adaptados para lançar artefatos explosivos contra os policiais.

Dois integrantes apontados como lideranças do tráfico foram presos. Enquanto Gabriel Fogli de Souza Pinto Ribeiro, conhecido como Atentado, tinha 24 anotações criminais, Matheus William Cassiano dos Santos, o Da Nike, acumulava outras seis.

Na operação também foram apreendidos fuzis, granadas, carregadores e drogas, além da recuperação de veículos roubados. Um criminoso morreu durante confronto com os policiais.

Durante as buscas, os PMs localizaram ainda uma estrutura subterrânea utilizada por traficantes para fugir das operações policiais. A passagem, escondida em um estabelecimento comercial, dava acesso à rede de esgoto.

Em represália à presença policial, criminosos incendiaram um ônibus na Avenida Monsenhor Félix e sequestraram outros veículos para bloquear ruas de Irajá, Madureira e Cavalcanti.

Na Avenida Ministro Edgard Romero, uma carreta e ônibus foram utilizados como barricadas. As interdições provocaram transtornos em diversas linhas de transporte público, incluindo serviços do BRT.

Após os confrontos, a Polícia Militar anunciou que manterá a ocupação no Complexo da Serrinha por tempo indeterminado, com reforço do policiamento para combater a atuação dos grupos criminosos.

Mesmo com a presença das equipes na região, os ataques voltaram a ocorrer nesta sexta-feira, atingindo novamente motoristas, passageiros e moradores da Zona Norte.

Limpatech