Arqueóloga do Cais do Valongo é baleada em assalto no Leblon

A arqueóloga e professora aposentada Tânia Andrade Lima, de 81 anos, foi agredida e baleada na tarde de quinta-feira durante um assalto no Leblon, na Zona Sul do Rio. Ela saía de uma agência bancária quando sofreu a abordagem violenta.

Arqueóloga Tânia Andrade Lima é ferida durante roubo violento no Leblon

O crime aconteceu na Rua General Venâncio Flores, uma das vias movimentadas do bairro. A pesquisadora, conhecida internacionalmente pelos trabalhos históricos na cidade, caminhava em direção ao próprio veículo no momento da investida criminosa.

Câmeras de vigilância instaladas no trecho flagraram toda a ação. As imagens mostram que o assaltante se aproximou a pé, puxou a idosa, a derrubou violentamente no chão e arrancou seus pertences. Testemunhas relataram que o homem tentou puxar o cordão e levou a bolsa da vítima.

Durante a agressão física, o criminoso efetuou disparos de arma de fogo contra a professora caída na calçada. Pedestres que passavam pelo local tentaram intervir, e um homem chegou a jogar um objeto na direção do ladrão. Motoristas pararam os veículos na pista diante do barulho dos tiros.

O atirador correu até o outro lado da rua, onde um comparsa o esperava em uma moto de apoio. Os dois fugiram em alta velocidade, tomando rumo em direção à Zona Norte da cidade pelo Túnel Rebouças.

Qual é o estado de saúde da pesquisadora?

Tânia Andrade Lima recebeu os primeiros atendimentos ainda na calçada por equipes da Operação Segurança Presente. Ela foi colocada em uma viatura e levada às pressas para o Hospital Municipal Miguel Couto, localizado na Gávea.

A idosa sofreu três perfurações. Dois tiros atingiram de raspão o braço e a mão. O terceiro disparo atingiu a região da nuca, deixando o projétil alojado no corpo da vítima. Os médicos constataram que os ferimentos no pescoço e no ombro não apresentavam gravidade imediata, mas a lesão na mão exigiu procedimentos mais detalhados.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a professora foi avaliada pela equipe cirúrgica do hospital público. Pouco depois, familiares solicitaram a transferência dela para uma unidade de saúde particular coberta pelo plano médico da família.

Como foi a perseguição e o que a polícia apreendeu?

Logo após o alerta via rádio sobre o ataque, policiais militares do 23º Batalhão de Polícia Militar (Leblon) e agentes do programa Segurança Presente iniciaram um cerco emergencial. O bloqueio interceptou a dupla na entrada do Túnel Rebouças, no sentido Zona Norte.

Ao perceberem a barreira policial, os suspeitos colidiram em outro automóvel que transitava pela pista. Os criminosos abandonaram o veículo de duas rodas no asfalto e conseguiram escapar a pé em direção aos acessos das vias laterais.

A Polícia Militar apreendeu a motocicleta utilizada no crime, que constava com registro de roubo no sistema integrado de segurança. Dois aparelhos celulares deixados pelos assaltantes durante a fuga também foram recolhidos pelos agentes.

O material apreendido foi encaminhado inicialmente para a 6ª Delegacia Policial (Cidade Nova). Posteriormente, os objetos seguiram para a perícia técnica da 14ª Delegacia Policial (Leblon), unidade distrital responsável pelo inquérito do latrocínio tentado.

Quem é a arqueóloga Tânia Andrade Lima?

A professora aposentada é uma das maiores referências da arqueologia histórica no Brasil. Tânia liderou as escavações realizadas em 2011 na Zona Portuária do Rio de Janeiro, no período de revitalização da área central do município.

Foi durante essas obras que a equipe coordenada por ela revelou as pedras originais do Cais do Valongo. O local histórico serviu como principal porta de entrada para africanos escravizados no continente americano durante o século XIX.

Os trabalhos de campo de Tânia resgataram milhares de peças históricas, incluindo amuletos, contas de colares e instrumentos de uso cotidiano originários de regiões como Congo, Angola e Moçambique. Pelo resgate do sítio, que se tornou Patrimônio Mundial pela Unesco, a pesquisadora recebeu premiações no exterior, como o Hypatia Award na Itália.

Como denunciar e ajudar a investigação

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro já identificou ao menos um dos participantes do assalto e realiza diligências na tentativa de prender a dupla. As imagens captadas por prédios do Leblon estão sendo usadas para mapear a rota de fuga dos envolvidos.

Moradores e comerciantes que tenham gravado imagens adicionais ou que conheçam o paradeiro dos suspeitos podem repassar dados para o Disque Denúncia pelo telefone 2253-1177. A ligação é gratuita, atende 24 horas por dia e garante sigilo absoluto das informações.

Quem preferir pode enviar mensagens com fotos e vídeos pelo WhatsApp do Disque Denúncia, no número (21) 2253-1177, ou diretamente no plantão da 14ª DP (Leblon), localizada na Rua Humberto de Campos, número 315.

O que fazer se você foi vítima de assalto na rua?

Especialistas em segurança e policiais recomendam que pedestres abordados por homens armados não reajam nem tentem reter objetos pessoais, evitando movimentos bruscos que possam ser interpretados como agressão pelo criminoso.

Após o término da ocorrência e em segurança, a vítima deve acionar o serviço de emergência da Polícia Militar pelo 190. Esse chamado imediato abastece a rede de viaturas com as características dos assaltantes e a direção tomada na fuga.

Para bloqueio de documentos, cartões de banco e aparelhos telefônicos, o cidadão deve formalizar o Boletim de Ocorrência. O procedimento pode ser feito pela internet, na página oficial da Delegacia Online da Polícia Civil (dedic.pcerj.rj.gov.br), sem necessidade de deslocamento inicial até a delegacia física.

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