Armas de PMs são recolhidas após tiroteio com morte na Freguesia

A Polícia Civil apreendeu as armas dos policiais militares envolvidos em um tiroteio entre equipes da própria corporação, na Freguesia, Zona Oeste do Rio. O confronto terminou com a morte do subtenente Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, do Bope, e deixou outros cinco PMs feridos.

Investigação apura falha de comunicação e recolhe câmeras

A Delegacia de Homicídios da Capital instaurou um inquérito para esclarecer as circunstâncias do tiroteio que assustou os moradores da Rua Guilherme Moreira. Todos os agentes que estavam na ação prestaram depoimento formal na sede da especializada. Os armamentos recolhidos foram encaminhados diretamente ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli para exames balísticos.

Os investigadores requisitaram oficialmente as imagens gravadas pelas câmeras corporais acopladas aos uniformes dos agentes de serviço. O objetivo é reconstruir a linha do tempo exata e entender quem efetuou os primeiros disparos. A análise pericial vai confrontar o calibre dos projéteis com as lesões encontradas nas vítimas.

De acordo com os relatos registrados pela Polícia Militar, uma equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais atuava no local em uma viatura descaracterizada para abordar um automóvel suspeito. Uma patrulha do 18º Batalhão de Polícia Militar, de Jacarepaguá, patrulhava o mesmo trecho sem ter conhecimento prévio sobre a operação reservada.

A falta de identificação visual do carro e a pouca claridade na via levaram os agentes do batalhão de área a acreditarem que o veículo era ocupado por traficantes armados. Houve reação imediata e o tiroteio começou antes que houvesse reconhecimento mútuo entre as equipes militares.

O que já se sabe sobre o confronto

O tiroteio deixou seis policiais atingidos no total. Além do subtenente Gláucio Marcelo, outros quatro integrantes do Bope e um militar lotado no 18º BPM sofreram ferimentos. Moradores relataram dezenas de tiros em rápida sucessão, assustando quem passava pela região nas primeiras horas do domingo.

Todos os feridos foram levados às pressas para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. O subtenente do Bope já deu entrada na unidade de emergência sem vida. Entre os policiais que sobreviveram, três receberam alta médica no mesmo dia e os outros dois foram transferidos para tratamento continuado no Hospital Central da Polícia Militar, localizado no Estácio.

Gláucio Marcelo Fonseca da Silva tinha 54 anos de idade e completava 26 anos de serviços dedicados à corporação, atuando a maior parte desse período na tropa de elite. Ele era pai de três filhos. A tragédia atinge a família pela segunda vez: o irmão do subtenente, o sargento Heber Carvalho, foi morto em operação militar na Zona Norte da capital.

Quem responde por isso na apuração

A ocorrência passou inicialmente pelo plantão da 41ª Delegacia de Polícia, no Tanque, antes de ser assumida de forma integral pela Delegacia de Homicídios da Capital, na Barra da Tijuca. A especializada é o órgão competente para conduzir apurações sobre mortes ocorridas em intervenções armadas na cidade.

No âmbito disciplinar e administrativo, a Corregedoria Geral da Polícia Militar abriu um procedimento apuratório formal. O processo interno está sob responsabilidade direta da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, unidade que monitora as ocorrências operacionais e disciplinares dos batalhões da Zona Oeste.

Os relatórios operacionais das duas equipes estão sendo cruzados com o Centro de Operações da corporação para entender o motivo pelo qual a sala de rádio do 18º BPM não recebeu o alerta de patrulhamento da tropa especial na mesma rota da Freguesia.

Como denunciar e colaborar com as autoridades

Informações que ajudem as autoridades a entenderem as circunstâncias de crimes ou incidentes armados podem ser repassadas à polícia de forma totalmente sigilosa. O Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, com atendimento anônimo garantido por lei estadual.

Também é possível encaminhar dados e relatos pelo WhatsApp do programa no número (21) 2253-1177 ou diretamente pelo aplicativo Disque Denúncia RJ. Moradores que tenham gravado imagens em câmeras particulares de segurança na Rua Guilherme Moreira podem procurar o atendimento presencial na Delegacia de Homicídios da Capital, localizada na Rua Dom Hélder Câmara, para disponibilizar as gravações aos agentes da especializada.

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