Argentina acusada de injúria racial em Ipanema é solta por decisão da Justiça

A Argentina acusada de injúria racial em Ipanema foi solta por decisão da Justiça do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (6). A advogada e influenciadora Agostina Páez havia sido presa horas antes, por ordem da 37ª Vara Criminal, a mesma que posteriormente determinou sua liberação.

Agostina foi detida no bairro de Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio, e encaminhada inicialmente à 11ª DP (Rocinha). Mesmo após a decisão judicial favorável, houve atraso no cumprimento do alvará de soltura, o que fez com que ela fosse levada ao Instituto Médico Legal para exame de corpo de delito antes de retornar à delegacia. A liberação ocorreu por volta das 20h, com a imposição do uso de tornozeleira eletrônica.

O crime de injúria racial é considerado inafiançável e pode resultar em pena de dois a cinco anos de prisão. A prisão preventiva havia sido decretada após a Justiça aceitar denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, que apontou risco de fuga e comportamento reiterado por parte da acusada.

Segundo a denúncia, o episódio ocorreu em um bar de Ipanema, no dia 14 de janeiro. De acordo com o Ministério Público, Agostina teria se referido a um funcionário de forma pejorativa, utilizando termos racistas em português e espanhol, além de imitar gestos de um macaco ao deixar o local. As ofensas teriam continuado mesmo após advertências sobre a gravidade da conduta no Brasil.

Imagens do episódio circularam nas redes sociais e motivaram a abertura de investigação pela Polícia Civil. A acusada nega as denúncias e afirma que os gestos e falas seriam uma brincadeira direcionada a amigas que a acompanhavam no local.

Após a decretação da prisão preventiva, Agostina publicou um vídeo nas redes sociais demonstrando medo e pedindo ajuda.
“Estou desesperada, morrendo de medo, e faço este vídeo para que a situação que estou vivendo ganhe repercussão”, afirmou.
“Tenho medo de ser prejudicada ao fazer este vídeo, de que meus direitos sejam ainda mais violados”, completou.

A defesa informou que irá se manifestar nos autos do processo e afirmou que a cliente sempre colaborou com as autoridades.
“Ela nunca quis se evadir, nunca quis fugir ou intimidar testemunhas”, disse o advogado Ezequiel Roitman, em declaração à imprensa.

Apesar de afirmar que não pode comentar o mérito do caso, Agostina declarou esperar que outros vídeos do ocorrido sejam analisados pelas autoridades. Ela seguirá cumprindo as medidas cautelares impostas pela Justiça enquanto o processo continua em tramitação.

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