Um estudo inédito sobre as desigualdades raciais no atendimento de saúde em Araruama foi apresentado durante o 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, realizado na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus. A pesquisa analisou os registros de hanseníase e tuberculose no município entre 2015 e 2024.
O levantamento foi levado ao evento nacional pela coordenadora do Programa Municipal de Hanseníase e Tuberculose de Araruama, Yasmin Vieira, que também é apoiadora técnica da População Negra na cidade e mestranda do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ).
Análise de dados busca melhorar atendimento do SUS em Araruama
O congresso nacional, organizado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), debateu o impacto das condições sociais e do acesso aos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O trabalho de Araruama cruza indicadores epidemiológicos com o recorte de raça e cor para identificar gargalos no diagnóstico e no tratamento das doenças.
Segundo a pesquisadora, examinar os registros históricos do município permite entender quais parcelas da população enfrentam mais barreiras para concluir o tratamento. Os dados levantados servem de base para orientar novas ações preventivas nas postos de saúde do município da Região dos Lagos.
O que muda para quem usa o SUS em Araruama?
Com a análise detalhada dos casos das duas doenças nas áreas urbanas e rurais de Araruama, a Secretaria Municipal de Saúde de Araruama busca reorganizar o fluxo de atendimento nos postos do município. A intenção é agilizar a busca ativa por pacientes e garantir a distribuição contínua dos remédios nas unidades de bairro.
A integração entre a pesquisa científica da UERJ e o trabalho de campo da prefeitura pretende reduzir o tempo entre os primeiros sintomas e o início do tratamento. Na prática, a intenção é evitar que moradores de áreas mais afastadas interrompam o acompanhamento médico por falta de informação ou dificuldades de acesso.
Como identificar os sintomas de hanseníase e tuberculose?
A hanseníase manifesta-se principalmente por manchas na pele de cor clara, avermelhada ou esbranquiçada, com perda de sensibilidade ao calor, ao frio e à dor no local. O morador também pode sentir formigamento ou fisgadas nos braços e pernas, além de perda de força muscular nas mãos e pés.
Já a tuberculose tem como principal sintoma a tosse persistente por três semanas ou mais, que pode vir acompanhada de febre baixa no fim da tarde, suor noturno, falta de apetite e emagrecimento sem causa aparente. Ambas as doenças têm cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS.
Onde buscar atendimento e exames na cidade?
Quem apresentar os sintomas descritos deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o Posto de Saúde da Família (PSF) mais próximo de sua casa em Araruama. O atendimento inicial e a coleta de exames para diagnóstico são feitos diretamente pela rede municipal de atenção primária de segunda a sexta-feira.
Para ser atendido, o morador deve levar documento de identidade com foto, CPF e o cartão do SUS. Caso haja necessidade de acompanhamento especializado, a própria unidade faz o encaminhamento do paciente para o centro de referência do Programa Municipal de Hanseníase e Tuberculose.
Como funciona o tratamento oferecido pela rede pública?
O tratamento para ambas as enfermidades é fornecido sem nenhum custo pela rede pública e não pode ser interrompido sem orientação médica. No caso da tuberculose, o tratamento dura no mínimo seis meses e exige a tomada diária dos medicamentos para evitar que a bactéria crie resistência.
Na hanseníase, a medicação é administrada por via oral em esquemas que variam de seis a doze meses, dependendo da classificação da doença. O acompanhamento inclui consultas mensais obrigatórias no posto para a dose supervisionada. Moradores com dúvidas sobre os locais de atendimento podem buscar orientações diretamente na sede da Secretaria Municipal de Saúde de Araruama.















