Depois de semanas de negociações intensas e sob pressão de órgãos fiscalizadores, um acordo entre Unimed Ferj e Unimed Brasil foi firmado nesta segunda-feira para conter a crise na rede assistencial que afetava cerca de 350 mil beneficiários em todo o país. O entendimento define um modelo de compartilhamento de risco que transfere para a Unimed do Brasil a coordenação e a responsabilidade direta pelo atendimento aos usuários da operadora fluminense.
Segundo informações divulgadas por Lauro Jardim, em O Globo, o avanço só ocorreu após uma série de reuniões mediadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e Defensoria Pública. As instituições cobravam uma solução imediata para a instabilidade da rede, especialmente após denúncias de interrupções em tratamentos oncológicos, o que levou a ANS a exigir o restabelecimento urgente desses serviços.
O encontro considerado decisivo ocorreu em 10 de novembro. Nele, a Unimed do Brasil, que atua como operadora nacional e coordena o sistema Unimed, aceitou assumir formalmente a assistência dos usuários da Ferj. A medida foi vista como essencial para evitar um colapso na rede, que já enfrentava atrasos em autorizações, dificuldades de pagamento a prestadores e suspensão de procedimentos importantes.
Com a assinatura do acordo, a Unimed do Brasil passa a financiar, coordenar e garantir o atendimento dos beneficiários, enquanto a Ferj tenta reorganizar sua gestão interna e estabilizar sua situação financeira. A expectativa é que, até o fim de novembro, a rede compartilhada esteja funcionando plenamente, garantindo continuidade de tratamentos em hospitais, clínicas e laboratórios.
Mesmo com o novo arranjo, o acompanhamento dos órgãos de controle continuará. MPF, MPRJ e Defensoria Pública afirmam que vão monitorar cada etapa da implantação para garantir que os pacientes não enfrentem novos episódios de interrupção, sobretudo na oncologia, setor mais sensível da assistência. A própria ANS seguirá supervisionando o cumprimento das determinações e a regularização dos atendimentos.
No setor, o acordo é considerado uma movimentação urgente para evitar judicializações e até a possibilidade de intervenção direta na operadora. Com o compartilhamento de risco, o sistema Unimed tenta evitar o agravamento da crise e restabelecer estabilidade à rede de usuários.














