Agentes apreenderam duas antenas de internet via satélite e 15 celulares na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, conhecida como Bangu 3, na Zona Oeste do Rio. O material ilegal estava escondido na ala que reúne chefes de uma das maiores facções criminosas fluminenses.
Apreensão de antenas em Bangu 3 mobiliza investigação interna
O flagrante aconteceu na galeria B-7 da unidade prisional, local onde ficam custodiadas lideranças do Comando Vermelho. Segundo as autoridades, os aparelhos encontrados são modelos da empresa Starlink, capazes de manter conexão de alta velocidade sem passar pelas redes tradicionais de telefonia móvel.
A Secretaria de Estado de Polícia Penal informou que a apreensão ocorreu durante mais uma fase da Operação Illicitus. A ação combate de forma permanente a entrada de itens ilegais nos presídios do Rio de Janeiro. Além das antenas, os agentes revistaram as celas e recolheram 15 aparelhos celulares que estavam com os internos da galeria.
Um procedimento investigativo foi aberto para descobrir como os equipamentos entraram no complexo penitenciário. Devido ao tamanho das antenas, a suspeita central é de que houve facilitação interna. Dificilmente itens desse porte passariam pelas revistas comuns feitas em visitantes nos dias de visitação regular.
Quem são os detentos que estavam na galeria revistada
A galeria B-7 reúne criminosos com papel de comando no tráfico de drogas do estado. Entre eles está Marcelo Fernando de Sá Costa, o Marcelinho, filho de Fernandinho Beira-Mar, apontado pela polícia como um dos interlocutores da facção dentro das prisões.
Outros nomes mantidos nessa mesma ala são William de Souza Guedes, conhecido como Corolla, do Morro do Engenho; Flávio Pereira de Almeida, o Almeidinha, ligado à arrecadação financeira do grupo; e Carlos Fagner de Souza Pinto, o Papagaio, integrante do conselho da quadrilha.
Também ocupam celas no mesmo setor Leonardo Farinazo Pampuro, o Léo Barrão, ligado à Vila Kennedy; Luciano Santos de Oliveira, o Hotwells, com atuação na Baixada Fluminense; e Ocimar Nunes Robert, o Barbozinha, ligado ao Morro do Turano.
Quem responde pela unidade e o que diz o Estado
A Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho é chefiada pelo policial penal Marcelo Loureiro. O diretor já havia sido afastado anteriormente de outra unidade do sistema penitenciário fluminense após a localização de itens proibidos sob sua gestão, mas retornou às funções e assumiu o comando de Bangu 3 recentemente.
De acordo com a Secretaria de Estado de Polícia Penal, a Operação Illicitus já recolheu mais de 1.600 aparelhos eletrônicos e 36 quilos de entorpecentes em unidades de todo o estado desde o mês de agosto. No mesmo período, as fiscalizações resultaram na prisão de 21 visitantes em flagrante e de dois servidores públicos que atuavam nas dependências do sistema prisional.
Como denunciar irregularidades no sistema penitenciário
Quem tiver informações sobre entrada de celulares, drogas ou outros materiais proibidos em presídios do Rio de Janeiro pode colaborar de forma totalmente segura. O Disque Denúncia recebe dados sobre esquemas de corrupção ou crimes cometidos por presos e intermediários sem pedir identificação.
- Telefone e WhatsApp do Disque Denúncia: (21) 2253-1177 (atendimento 24 horas por dia).
- Site oficial: disquedenuncia.org.br.
- Ouvidoria da Polícia Penal: denúncias sobre conduta de servidores podem ser formalizadas pelo portal oficial do Governo do Estado (rj.gov.br) ou presencialmente na sede do órgão, no Centro do Rio.
O sigilo sobre a identidade de quem denuncia é garantido por lei. As informações repassadas aos canais oficiais são encaminhadas diretamente para os setores de inteligência da Secretaria de Polícia Penal e da Polícia Civil.
O que já se sabe sobre a segurança em Gericinó
O Complexo Penitenciário de Gericinó, onde fica Bangu 3, recebe rotineiramente vistorias e operações de varredura com uso de cães farejadores e detectores de metal. No entanto, a entrada contínua de tecnologia de ponta coloca em alerta as forças de segurança estaduais, que buscam bloquear o comando de crimes feito de dentro das celas.
Nos próximos dias, a Corregedoria da Polícia Penal deve ouvir agentes de plantão, responsáveis pela triagem de encomendas e funcionários que tiveram acesso recente à galeria B-7. A apuração vai verificar os registros das câmeras de monitoramento do complexo para mapear o dia e a hora em que o pacote com os equipamentos alcançou o pavilhão dos detentos.














