Alexandre Pires recebeu R$ 31 milhões em esquema de minério, diz PF

O cantor Alexandre Pires recebeu mais de R$ 31 milhões de firmas ligadas ao comércio clandestino de cassiterita, segundo documentos da Polícia Federal. O esquema apurado movimentou cerca de R$ 246 milhões com fraudes em exportações de minério.

As informações constam nos relatórios oficiais que detalham as transferências financeiras identificadas pelos agentes federais. O caso envolve a negociação internacional de minérios retirados de áreas ilegais, simulando vendas com cargas falsas.

Esquema de cassiterita movimentou milhões e entregou pedra brita

Segundo a Polícia Federal, o esquema operava com a venda e ocultação de patrimônio em cifras que superam 48 milhões de dólares. A maior fatia destinada ao artista partiu de uma empresa específica. Do total sob suspeita, R$ 26,6 milhões saíram das contas da Metalsur diretamente para o músico.

Os relatórios mostram que a Metalsur recebeu 20,4 milhões de dólares de uma multinacional suíça, a Gerald Metals Sarl. O valor equivalia a cerca de R$ 98,4 milhões na cotação da época em que a transação ocorreu. O pagamento cobria uma grande remessa do mineral cassiterita, matéria-prima usada na fabricação de estanho.

No entanto, a entrega prometida nunca chegou ao comprador estrangeiro. Segundo os investigadores federais, a empresa compradora recebeu apenas um carregamento de brita comum no lugar do mineral nobre. O artifício serviu para desviar recursos e simular exportações legítimas com produto sem valor comercial de mineração.

O que já se sabe sobre as investigações

A apuração da Polícia Federal revelou que o esquema usava contas bancárias de diversas pessoas físicas e jurídicas para dispersar os valores obtidos ilegalmente. O dinheiro circulava em várias camadas financeiras para dificultar o rastreio da fiscalização.

Os policiais federais identificaram que o montante repassado ao cantor ocorreu durante as operações da mineradora investigada. Até o momento, os investigadores apontam que Alexandre Pires recebeu mais de R$ 31 milhões no somatório das transações sob suspeita.

A investigação apura se o cantor tinha ciência da origem ilícita dos valores ou se os repasses foram justificados formalmente como cachês de apresentações e negócios artísticos. A defesa de Alexandre Pires ainda não se pronunciou oficialmente sobre as conclusões recentes do relatório policial.

Quem responde por isso e como funciona a apuração

O caso está sob responsabilidade direta da Polícia Federal, com acompanhamento do Ministério Público Federal e da Justiça Federal. São apurados os crimes de lavagem de capitais, usurpação de bens da União e organização criminosa na extração mineral clandestina.

A cassiterita é um mineral estratégico frequentemente explorado de forma ilegal em terras indígenas e áreas de preservação na região Norte do país. O transporte e a venda exigem licenças rigorosas dos órgãos ambientais e da Agência Nacional de Mineração.

Quando cargas ilegais são interceptadas ou fraudadas, os responsáveis respondem na esfera criminal e civil federal, com bloqueio imediato de contas e apreensão de patrimônio identificado. O processo segue em andamento para identificar outros intermediários do pagamento milionário.

Como denunciar crimes ambientais e lavagem de dinheiro

A população pode ajudar no combate a crimes federais, comércio ilegal de minérios e lavagem de dinheiro por meio dos canais oficiais dos órgãos de segurança pública. As denúncias auxiliam no bloqueio de bens de quadrilhas organizadas.

Para repassar informações sobre crimes de atribuição federal, a Polícia Federal disponibiliza canais de atendimento presencial em suas superintendências regionais e na internet:

  • Polícia Federal: denúncias podem ser feitas pelo portal oficial (gov.br/pf) ou diretamente na Superintendência Regional mais próxima. No Rio de Janeiro, a sede fica na Avenida Rodrigues Alves, 1, na Saúde, com atendimento 24 horas.
  • Disque Denúncia do Rio: para denúncias anônimas em território fluminense, o telefone é (21) 2253-1177, disponível 24 horas por dia, com sigilo total garantido ao denunciante.
  • Ministério Público Federal: atendimento ao cidadão pela plataforma MPF Serviços (mpf.mp.br/servicos) para protocolar representações sobre crimes ambientais em terras da União.

Os canais aceitam documentos, fotos e dados anônimos para alimentar apurações em andamento em todo o território nacional.

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